CANCÚN BRASILEIRA? PRESERVAÇÃO, NEOLIBERALISMO E CONFLITOS AMBIENTAIS NA ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE TAMOIOS (ANGRA DOS REIS E PARATY-RJ)
Unidades de Conservação; Turismo; Flexibilização Ambiental; Neoliberalismo; ESEC Tamoios.
As Unidades de Conservação constituem importantes instrumentos de proteção da biodiversidade, mas também são territórios marcados por disputas entre preservação ambiental, interesses econômicos e modos de vida tradicionais. Esta pesquisa analisa as transformações nos Planos de Manejo da Estação Ecológica de Tamoios (2006 e 2025) – área que interesses políticos pretendem transformar numa “Cancún Brasileira”, abrindo as portas para o turismo de massa e empreendimentos imobiliários de grande porte – buscando compreender as mudanças nas concepções de preservação e na gestão dos conflitos socioambientais. Fundamentada na Ecologia Política e no debate sobre a neoliberalização da natureza, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, baseada em análise documental comparativa, revisão bibliográfica e pesquisa de campo. Os resultados evidenciam a transição de um modelo preservacionista mais restritivo para uma gestão que incorpora mecanismos de compatibilização de usos e o reconhecimento das territorialidades pesqueiras tradicionais. Conclui-se que os Planos de Manejo extrapolam sua função técnico-administrativa, constituindo instrumentos políticos que expressam as disputas em torno da conservação da natureza e do uso do território na Baía da Ilha Grande.