PERCEPÇÃO DE RISCOS A INUNDAÇÕES NO RIO BOTAS: UMA ANÁLISE A PARTIR DA PERSPECTIVA DOS MORADORES DE COMENDADOR SOARES E OURO VERDE, EM NOVA IGUAÇU (RJ)
Percepção de risco; Inundação; rio Botas.
O processo de urbanização acelerado e desordenado de muitas cidades brasileiras pode gerar uma série de problemas socioambientais para a população, assim como muitos desafios para as instituições e órgãos responsáveis na gestão, no planejamento e no ordenamento do território. As alterações dos padrões geomorfológicos dos rios, a retirada da mata ciliar, a ocupação do seu leito, a poluição e contaminação dos canais fluviais colaboram para o processo de degradação dos recursos hídricos. Esse cenário de degradação pode acelerar a frequência e a intensidade de eventos naturais associados a inundações e enchentes. Sendo assim, ao falarmos das inundações que ocorrem na região metropolitana do Rio de Janeiro, entendemos que se trata de uma problemática socioambiental urbana que causa uma série de consequências e danos para a população afetada. Em Nova Iguaçu, município pertencente à RMRJ, pode-se dizer que a interação de fatores naturais e antrópicos contribuem para a ocorrência de inundações. A cidade registra altos índices pluviométricos no período do verão e se insere em um contexto geomorfológico de baixada, apresentando muitas áreas inundáveis que foram desmatadas para a ocupação urbana. Nesse sentido, o rio Botas, um dos principais rios do município, é atingido anualmente por eventos de inundações e sofre com os impactos relacionados à ocupação urbana nas suas margens, descarte do lixo e lançamento do esgoto in natura. A partir dessa questão, o objetivo principal desta pesquisa é analisar a percepção de risco as inundações dos moradores que vivem no trecho do rio Botas localizado entre o bairro Comendador Soares e Ouro Verde, em Nova Iguaçu. A metodologia da pesquisa divide-se em cinco etapas, onde primeiramente construímos um Estado da Arte sobre a temática que envolve a percepção de risco a inundações e pesquisas sobre o rio Botas. Em um segundo momento, realizamos uma discussão sobre os conceitos utilizados no referencial teórico (risco, percepção de risco, vulnerabilidade, resiliência, bacia hidrográfica, inundação, enchente, alagamento e desastre natural). No terceiro momento foi realizada uma caracterização e contextualização da área de estudo, através da análise de aspectos sociais e naturais (geomorfologia, hidrografia, cobertura e uso da terra, climatologia). Na quarta etapa foram feitos trabalhos de campo para a realização das entrevistas dos moradores que vivem nas proximidades do trecho do rio Botas localizado entre os bairros Comendador Soares e Ouro Verde. A quinta etapa constituiu no processo de análise da percepção de risco dos moradores com base na metodologia da Análise Textual Discursiva (ATD) de Moraes e Galiazzi (2006; 2016), na qual foram apresentados os resultados e as discussões. Pode-se considerar que os moradores percebem os riscos de inundação, muitos relatam em suas falas sentirem “medo” quando começa a chover. No entanto, apesar do risco da inundação, fatores relacionados a tranquilidade e oportunidades do bairro contribuem para um sentimento de identidade e de ligação afetiva com o local e entre os vizinhos, evidenciando que existe uma aceitação do risco.