Novo Desenvolvimentismo Brasileiro: A atuação da Ternium CSA – Companhia Siderúrgica do Atlântico, em Santa Cruz, Rio de Janeiro – RJ
Novo desenvolvimentismo brasileiro; Ternium – CSA; Santa Cruz.
Durante um período em que o contexto político-econômico brasileiro foi marcado pelo chamado novo desenvolvimentismo, os governos municipal, estadual e federal, em conjunto com o empresariado nacional e internacional, construíram um imenso polo industrial e um complexo portuário voltado para a exportação de commodities minerais e produtos siderúrgicos no Extremo Oeste Metropolitano Fluminense (OLIVEIRA, 2015). O primeiro empreendimento desse polo industrial neste período mais recente foi a Companhia Siderúrgica do Atlântico – Ternium CSA. O Distrito Industrial de Santa Cruz, onde se instalou a empresa, foi inaugurado nos anos de 1970, como consequência de projetos que calcaram na indústria e no desenvolvimentismo a política nacional. A Companhia Siderúrgica do Atlântico iniciou suas obras neste distrito industrial em 2005, entrando em dinâmico funcionamento a partir 2010 e se juntando às outras empresas que atuam na região. Assim, o objetivo central desta pesquisa é compreender a atuação da Companhia Siderúrgica do Atlântico, atual Ternium, e seus impactos em Santa Cruz, Rio de Janeiro-RJ. Tal exercício profundamente geográfico, em especial sob a perspectiva da geografia econômica e da indústria e suas conexões com a economia política e a ecologia política, foi metodologicamente estruturado a partir da interpretação do novo desenvolvimentismo brasileiro, apontado por Mercadante (2010), como uma proposição de nova esperança na construção do desenvolvimento no espaço estudado; além de contar com interpretações sobre as facetas do fenômeno técnico em sua totalidade, tratados por Santos (1996; 2000) e Santos e Silveira (2001), que se mostram indispensáveis para operacionalização e aprofundamentos nas análises geográficas presentes nesta pesquisa. Assim, esse diagnóstico da atuação da CSA na região de Santa Cruz revela um pouco das contradições do novo desenvolvimentismo brasileiro, ao prometerem desenvolvimento social, econômico, educacional, avanços na democracia, preocupações socioambientais e entregarem conflitos entre os empresários e os moradores, violações no tramete do licenciamento ambiental, complicações de saúde, alagamentos de casas, perseguições e poluição atmosférica, além de um sistema educacional excludente e tantos outros problemas vividos na borda metropolitana do Rio de Janeiro advindos das atividades industrias impulsionadas durante a ascensão de práticas do novo desenvolvimentismo brasileiro.