Da imagem à imagem: Porto Maravilha e Museu do Amanhã no empreendedorismo urbano carioca no início do século XXI
Museu do Amanhã, Porto Maravilha, empreendedorismo urbano, imagem, contradições socioespaciais.
Este trabalho tem como proposta analisar o Museu do Amanhã perante a dinâmica urbana da cidade do Rio de Janeiro no século XXI, seguindo uma linha política, econômica e imagética, identificando suas especificidades e sua integração ao processo de empreendedorismo urbano, definido como um modelo de gestão concretizado por meio de parcerias público-privadas e um marketing urbano estratégico voltado ao desenvolvimento capitalista. O método definido para a dissertação foi o materialismo histórico dialético, marcado por compreender o espaço por meio de sua contradição e evidenciar a realidade dos homens através de sua organização social e por meio de sua História. Nossa análise se dará a partir de um debate teórico, combinado a um estudo empírico do nosso objeto de estudo e seu entorno. Localizado no Pier Mauá, Região Portuária do Rio de Janeiro, o museu em questão foi inaugurado no dia 17 de dezembro de 2015, sendo detentor de um conteúdo fomentador de reflexões, amparado por modernos recursos tecnológicos. O aspecto visual de sua arquitetura pós-moderna, voltado para o espetáculo, foi um dos pontos centrais em sua formulação. Sua forma e todo seu acervo inundado de simbologias firmam um diálogo enriquecedor com a Geografia, revelando uma espacialização sob forte influência do capital e de uma política pública voltada a seu favorecimento. A prefeitura local ao formular esse empreendimento cultural em parceria com a Fundação Roberto Marinho objetivava torná-lo um marco do projeto de revitalização da então degradada Região Portuária, denominado Porto Maravilha. Sua fixação nesse espaço, alinhado com setores da mídia, empresas e com o próprio Estado, o colocou na condição de simulacro espacial, expressando toda ferocidade do capital. Em face disso, percebemos o quanto sua imagem contribuiu para o esfacelamento da história local e também como ocultador de contradições socioespaciais.