Da espetacularização à contradição: um estudo de caso do Museu do Amanhã
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O Museu do Amanhã é muito mais que uma complexa estrutura arquitetônica: é a representação de uma política pública urbana direcionada para a revitalização da Região Portuária da cidade do Rio de Janeiro, com a primazia do poder econômico em relação aos demais. A consequência desse fato é a forte influência do capital no planejamento e gestão dessa forma urbana. O projeto de formulação do Museu do Amanhã acompanhou uma tendência mundial em relação aos projetos urbanísticos contemporâneos. Segundo Arantes (2002, p. 34 [2000]), esses projetos chamados por vezes de revitalização, reabilitação, revalorização, reciclagem, requalificação, etc., seguem a “simbiose de imagem e produto”, ou seja, o fator simbólico passa a ter papel relevante no desenvolvimento e no planejamento urbano, em alguns casos com um megaempreendimento cultural como forma centralizadora. O Museu do Amanhã se ergueu já dotado de grande importância, pois foi desde o início a forma de destaque de um megaprojeto urbano direcionado à Região Portuária. Esse megaprojeto só adveio graças à conjuntura olímpica da cidade, já que a mesma ganhou o direito de sediar as Olimpíadas de 2016, o que propiciou um grande investimento na região.