IDEOLOGIAS GEOGRÁFICAS DO AGRONEGÓCIO: UMA ANÁLISE DE PL DO AGRO NO GOVERNO BOLSONARO (2019-2022)
Brasil celeiro do mundo; Ideologia geográfica; Agronegócio; Estado; Congresso Nacional.
Nos últimos anos o Brasil tem se destacado no cenário internacional assumindo uma posição relevante no Sistema-mundo. Entre as características centrais está a permanência de um país com forte traço agroexportador. Todavia, surge um questionamento: como pode o país que carrega a vocação de ser o “celeiro do mundo” ter tantas pessoas passando fome? O que o fomento deste tipo de ideologia geográfica busca legitimar? O objetivo central desta pesquisa é analisar Atores políticos que estão associados a legitimar a ideologia geográfica “Brasil celeiro do mundo”, tendo como foco a análise de PL’s(Projeto de Leis) elaborados por tais atores. A elite agrária obtém bastante sucesso é explicada pela forma como a economia brasileira se consolidou e o uso que a elite faz do Estado, ocupando cargos importantes de tomadores de decisões. A dissertação se estrutura em uma pesquisa exploratória, buscando informações sobre a difusão de ideologias geográficas atreladas ao agronegócio, bem como para identificar as táticas e estratégias tomadas por esses grupos políticos, tendo como recorte empírico as PL produzidas durante o governo Bolsonaro 2019-2022. Toda a análise foi fundamentada no método materialista histórico-dialético, tendo como elementos interpretar a construção históricas e as contradições inerentes aos jogos de poder na política e econômica Brasileira. O movimento do Estado em direção ao Agro tem sido entendido por estudiosos como uma reprimarização da economia, voltando assim seus recursos em favor do agribusiness. A partir da análise dos Projetos de Lei propostos pela bancada parlamentar mais influente no Congresso Nacional – a bancada ruralista – é possível compreender com clareza como esses políticos operam para favorecer interesses financeiros particulares e demonstram que não se importam com o provimento de um alimento saudável, nem com as comunidades tradicionais e nem com a preservação do meio ambiente.