TURISMO, SUSTENTABILIDADE E PRESERVAÇÃO: O CASO DA ESEC TAMOIOS (ANGRA DOS REIS E PARATY-RJ)
Unidades de Conservação; Turismo; Flexibilização Ambiental; Neoliberalismo; ESEC Tamoios.
O avanço da mercantilização da natureza no Brasil tem provocado reconfigurações profundas nas políticas ambientais, especialmente nas Unidades de Conservação (UCs). Inserido no contexto da racionalidade neoliberal, o turismo tem se consolidado como um vetor estratégico de flexibilização das legislações ambientais, legitimando práticas que priorizam interesses econômicos em detrimento da proteção da biodiversidade. Esta pesquisa investiga como o turismo tem sido instrumentalizado como facilitador de propostas de Redução, Recategorização e Extinção de UCs (PADDD), tendo como estudo de caso a Estação Ecológica de Tamoios (ESEC Tamoios), situada nos municípios de Angra dos Reis e Paraty (RJ). Através do referencial teórico da ecologia política, analisa-se o entrelaçamento entre desenvolvimento sustentável, neoliberalização da natureza e políticas ambientais, destacando as disputas territoriais e os conflitos socioambientais na região da Baía da Ilha Grande. A metodologia adotada combina pesquisa bibliográfica, análise documental e trabalho de campo, com o objetivo de compreender as estratégias de desmonte ambiental e os mecanismos de resistência. A hipótese central sustenta que, embora o turismo possa ser concebido como promotor de conservação, no contexto da lógica de mercado ele frequentemente atua como elemento legitimador da apropriação privada dos bens comuns, contribuindo para a desestruturação das políticas de preservação. A dissertação dessa forma busca contribuir para o debate crítico sobre as contradições do desenvolvimento sustentável e os riscos da financeirização da natureza nas áreas protegidas brasileiras.