AS “CABEÇAS DA HIDRA” CONTINUAM VIVAS: RE-EXISTÊNCIAS NEGRAS, AQUILOMBAMENTOS E TERRITORIALIDADES EM NOVA IGUAÇU (RJ)
Geografias negras; Quilombo Enraizados; Resistências
Esta dissertação tem o objetivo de investigar as múltiplas formas de re-existência negra em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a partir das relações entre território, memória, oralidade, cultura e outras formas de re-existências (Porto-Gonçalves, 2022) produzidas pelos “desde baixo”. Tomando como referência as contribuições das Geografias Negras (Guimarães, 2020) e Anticoloniais, narramos a história de uma Nova Iguaçu quilombola que não é frequentemente o foco das abordagens. Voltamos nossa análise inicialmente para o Quilombo da Hidra, trazendo essa ancestralidade quilombola de Nova Iguaçu, investigando a formação desse quilombo, a história e a participação na economia colonial, tornando-se uma sociedade negra forte e autogerida. Realizamos essa análise através de jornais e periódicos da época, além da vasta pesquisa de Flávio Gomes (1996) sobre os quilombos do Rio de Janeiro. Posteriormente, defendemos o argumento de que essas formas de re-existências oriundas do período colonial estão vivas até o dia de hoje. Por mais que Dom Pedro I tenha tentado destruir todas as cabeças da Hidra, elas continuam vivas. O Quilombo se transfigura de re-existência em aquilombamento contemporâneo, baseados nos conceitos de Beatriz Nascimento (1989) , Abdias Nascimento (2019) e Andrelino Campos (2005), o quilombo passa do sentido físico para o simbólico. Baseados nessa atualização do conceito de quilombo, voltamos nossa investigação para as cabeças da Hidra vivas até os dias atuais e conhecemos o Quilombo Enraizados, que aparece nesse sentido como re-existência simbólica, movido pela memória e trajetória do Dudu do Morro Agudo, pela consolidação de redes comunitárias e atividades engajadas para o fortalecimento da identidade negra de Nova Iguaçu.