Da valorização da imagem à mercanlização: a produção do espaço turístico em Visconde de Mauá/RJ-MG
Espaço geográfico; Turismo; Patrimônio cultural; Políticas público-privadas; Visconde de Mauá.
O turismo, por ser uma das mais importantes atividades econômicas no mundo contemporâneo e impulsionar significativas transformações socioespaciais, se torna um fenômeno indispensável a ser compreendido pela ciência geográfica. Nesse contexto, utilizou-se o conceito de espaço geográfico para compreender as estratégias criadas, a fim de mercantilizar o espaço turístico. Posto isto, o presente trabalho objetivou entender as transformações socioespaciais, advindas do turismo, na região de Visconde de Mauá, que se estende entre os municípios de Resende e Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, e Bocaina de Minas, no estado de Minas Gerais, abrangendo o período de 1970 até o momento atual. Antes de se tornar um dos principais destinos turísticos do estado do Rio de Janeiro, essa região foi palco de diversas atividades e habitada por diferentes atores sociais. Situada na serra da Mantiqueira, essa área teve a sua economia, até a década de 1970, basicamente associada a atividades agropecuárias, sendo, nos anos seguintes, substituída pela atividade turística que predomina até hoje. O estudo busca, com os seus objetivos específicos, entender as relações de poder na produção do espaço turístico, quais os elementos são apropriados e criados pelo turismo para serem mercantilizados e quais as relações e os conflitos que se estabelecem entre os diferentes atores sociais. Para tal, a pesquisa se fundamentou num amplo levantamento bibliográfico, análise de fontes especializadas, entrevistas com os diferentes atores que compõem este espaço, além de trabalhos de campo nas quatro vilas da região, são elas: vila de Visconde de Mauá/RJ, vila de Maromba/RJ, vila de Maringá/RJ e vila de Maringá/MG. Percebeu-se que essa região possui importantes patrimônios naturais e culturais que foram apropriados pela prática do turismo. Além disso, constatou-se que a organização e a gestão dessa atividade estão orientadas sob uma perspectiva econômica, muitas vezes alheias às questões socioambientais. Desse modo, entendeu-se que é necessário um modelo de turismo inclusivo, que atenda a todos os atores sociais, pois só assim a ideia de desenvolvimento se fará presente na região.