A Baixada Fluminense vista do lado de cá: análises através de um território de sacrifício
Baixada Fluminense; Território; Zona de Sacrifício; Unidades de Conservação
A Baixada Fluminense (BF), localizada no Rio de Janeiro, marcada historicamente por processos de estigmatização e exclusão, é um território periférico da metrópole fluminense. Essa condição foi construída ao longo de décadas por meio de uma lógica de exploração e subalternização da região em relação à capital, que a transformou em uma zona de sacrifício. Nesse contexto, é importante pensar como a relação entre sociedade e natureza se manifesta nesse território, visto que a produção desse espaço é marcada por desigualdades socioambientais. Nova Iguaçu, que é o locus dessa pesquisa, possui um significativo percentual de seu território coberto por áreas verdes, o que evidencia uma das potencialidades da região. Portanto, a pesquisa teve como objetivo central analisar o processo de formação territorial e ambiental da Baixada Fluminense a fim de verificar se/como o discurso produzido nesse processo afeta o uso público nas Unidades de Conservação. Para alcançar esse objetivo, foram utilizadas referências teóricas sobre território, natureza e poder, além da realização de entrevistas com o secretário do meio ambiente de Nova Iguaçu, a Coordenadora de Educação Ambiental e a gestora do Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu, com uma metodologia voltada para o método dialético e a análise crítica do discurso das entrevistas e dos recortes de jornais para entendermos como a produção de uma narrativa acerca da BF contribui para a falta de pertencimento territorial da sociedade e a falta de uma consciência ambiental sobre esses espaços de conservação. A Educação ambiental adentrou essa pesquisa na perspectiva de um possível potencializador para a melhora dessa problemática, atuando como ponte entre a sociedade e a natureza, fortalecendo o sentimento de pertencimento. Os resultados da pesquisa demonstram que essa identidade territorial ainda se encontra marcada por um viés estigmatizante, prejudicando a relação entre natureza e sociedade. No entanto, ficou evidente que as práticas de educação ambiental desenvolvidas no território, especialmente aquelas voltadas ao diálogo com a comunidade, têm potencial para transformar olhares e firmar vínculos entre a população e os espaços naturais. Trata-se de um trabalho contínuo, paciente e coletivo, mas, que apresenta caminhos possíveis para reconfigurar essas relações na região. Assim, reforça-se a importância de políticas públicas que valorizem a educação ambiental como instrumento de mediação e de pertencimento territorial, sobretudo em contextos historicamente marcados pela exclusão e estigmatização, como é o caso da Baixada Fluminense.