GEOGRAFIA ENCARNADA EM MACABÉA: DA POÉTICA AO DINAMISMO DO LUGAR (NÃO)VIVIDO
Clarice Lispector. Geografia Literária. Geografias Emocionais. Experiências vividas. Topofobia.
A pesquisa geoliterária aqui desenvolvida nasce do diálogo da geografia humanista com o romance “A Hora da Estrela”, da escritora Clarice Lispector. Romance que teve sua primeira publicação em 1977 e apresenta como protagonista, a personagem Macabéa, uma jovem nordestina de 19 anos, que sai do sertão alagoano em busca de uma nova vida na cidade do Rio de Janeiro. Contudo, a história dessa personagem é marcada por um forte sentimento topofóbico de não existência, de não pertencer a lugar nenhum, de total miséria anônima. Com uma linguagem irônica e introspectiva, Clarice denuncia a invisibilidade social de Macabéa, o que perpassa pelas questões de habitação, trabalho e das relações humanas permeadas de conflitos. Assim, o objetivo central desta pesquisa é analisar a construção do Lugar a partir das experiências (não)vividas da personagem, levando em consideração as Geografias Emocionais, assim como a topofobia, demarcando a trajetória de Macabéa no contexto em que ela se situa tanto espacial quanto temporalmente no romance. Nessa perspectiva, Geografia encarnada em Macabéa é uma forma de dizer (metaforicamente) que a existência humana é a primeira condição para o fazer geográfico, e que as emoções (das mais diversas) estão presentes na constituição dos lugares, na subjetividade dos corpos. Não existe lugar sem pessoas, e pessoas são movidas por emoções. Mais de 40 anos depois de sua publicação, ainda é possível encontrar outras “Macabéas” andando pelas ruas das cidades brasileiras. Mulheres nordestinas invisíveis, sofridas e que buscam (sem saber se encontrarão) a hora em que suas “estrelas possam brilhar”.