AVALIAÇÃO FARMACOLÓGICA DAS ATIVIDADES ANTINOCICEPTIVA E ANTI-INFLAMATÓRIA DE EXTRATOS E FRAÇÕES DE ANNONA DOLABRIPETALA RADDI
Annona dolabripetala, camundongos, nocicepção, inflamação, camundongos
O homem utiliza-se de produtos naturais, particularmente da flora, para fins medicinais, desde os primórdios da humanidade. Fármacos derivados de espécies vegetais são utilizados para o tratamento da dor e inflamação, como por exemplo, opioides e anti-inflamatórios não-esteroidais, porém estes apresentam efeitos adversos importantes que levam a busca por novos medicamentos analgésicos/anti-inflamatórios. A Annona tomentosa é uma espécie pertencente ao gênero Annona, da família Annonaceae, e conhecida popularmente como “araticum de moita” ou “araticum rasteiro”. O chá das folhas é utilizado na medicina popular para tratamento de desordens de origem inflamatória. Pelo fato de não existirem evidências científicas para os efeitos da Annona tomentosa R.E.Fr, pretendemos avaliar o potencial antinociceptivo e anti-inflamatório dos extratos e frações em hexano, acetato de etila e clorofórmio de caule e folhas, sob condições agudas. Para isto foram utilizados camundongos Swiss machos, com peso entre 20-25g provenientes do Biotério do Departamento de Ciências Fisológicas – ICBS – UFRRJ. O protocolo para este estudo foi aprovado pela CEUA/ICBS – UFRRJ, sob o número 013/2017. Para avaliação da atividade antinociceptiva foram usados os modelos de contorções abdominais induzidos por ácido acético, da formalina, retirada de cauda, indução de nocicepção por glutamato e cinamaldeído e campo aberto. Para avaliação da atividade anti-inflamatória foram usados os modelos de edema de pata induzidos por carragenina, bradicinina, histamina e serotonina, bolha de arsubcutânea com quantificação de leucócitos totais e citocinas, atividade COX, além da avaliação toxicológica aguda. Observamos como resultado a atividade dos extratos e frações com a maior dose no modelo de contorções abdominais, formalina e retirada de cauda, com exceção para a fração em acetato de etila de folhas, que não mostrou efeito na 1º fase da formalina e no modelo de retirada de cauda, demonstrando atividade antinociceptiva neurogênica. A fração hexânica do caule de A. dolabripetala, a mais efetiva no modelo de retirada de cauda, não teve seu efeito antinociceptivo revertido por nenhum antagonista utilizado previamente, evidenciando ausência na participação dos sistemas opioide, nitrérgico, adrenérgico, colinérgico, serotoninérgico e de canais de K+/ATP. A mesma fração reduziu o tempo de lambedura induzido por glutamato e cinamaldeído mostrando possível atividade sobre receptores glutamatérgicos e TRPA1.Os extratos e frações de A. dolabripetala não evidenciaram perda de mobilidade no modelo de campo aberto, confirmando a atividade antinociceptiva. Os extratos e frações de A. dolabripetala apresentaram efeito no modelo de edema de pata, com exceção das frações hexânica e em acetato de etila de caule. Os flavonóides isolados a partir da fração em acetato de etila de folhas, a mais efetiva no efeito antiedematogênico, foram na sua maior dose efetivos na redução do edema de pata induzido por carragenina nas 2 últimas horas de avaliação, reduziram a migração de leucócitos totais, reduziram a produção de citocinas pró-inflamatórias TNF-α, IL-1β e IL-6, não foram capazes de inibir o edema induzido por bradicinina, histamina e serotonina e também não influenciaram na prução de IL-4, IL-10 e IFN-λ. Os flavonóides demonstraram capacidade em inibir a atividade enzimática de COX. Nenhum extrato ou fração demonstrou sintomas de toxicidade com doses de até 1g/kg. Logo, os extratos e frações de A. dolabripetala mostraram possuir atividades antinociceptiva e anti-inflamatória, sugerindo a participação de receptores glutamatérgicos e TRPA1, inibição na produção de citocinas pró-inflamatórias e da enzima cicloxigenase.