A INFLUÊNCIA DA GRELINA SOBRE O COMPORTAMENTO E A ATIVIDADE DE NEURÔNIOS DO NÚCLEO PARAVENTRICULAR DO HIPOTÁLAMO E DA AMÍGDALA BASOLATERAL.
Palavras-chave: grelina, controle da ingestão alimentar, comportamento análogo à ansiedade, amígdala basolateral.
Dos-Santos, Raoni da Conceição.A INFLUÊNCIA DA GRELINA SOBRE O COMPORTAMENTO E A ATIVIDADE DE NEURÔNIOS DO NÚCLEO PARAVENTRICULAR DO HIPOTÁLAMO E DA AMÍGDALA BASOLERAL. 2018. 70p Tese (doutorado em Ciências Fisiológicas). Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde, Departamento de Ciências Fisiológicas, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, Rj, 2019.
A grelina é um hormônio orexigênico produzido pelo estômago. Além de seu efeito indutor da fome a grelina também afeta uma série de variáveis fisiológicas como o controle neuroendócrino, a função autonômica e cardiovascular, a resposta ao estresse os comportamentos análogo à ansiedade e depressão. O núcleo paraventricular do hipotálamo (PVN) e a amígdala basolateral (BLA) são núcleos encefálicos importantes na integração de diversos dos efeitos da grelina. Para elucidar os efeitos da grelina sobre a atividade de neurônios do PVN nós utilizamos registros eletrofisiológicos extracelulares e intracelulares em fatias de encéfalo ex vivo, e observamos que a grelina pode aumentar ou diminuir a frequência de disparos dos neurônios do PVN, porém, os efeitos excitatórios são diretos, enquanto os efeitos inibitórios são indiretos. Verificamos também que a grelina afeta a maioria dos neurônios desse núcleo sejam eles preautonômicos, neuroendócrinos parvocelulares ou neuroendócrinos magnocelulares; e que a maioria dos neurônios TRH, CRH e OT do PVN são hiperpolarizados pela grelina. Similarmente, realizamos registros intracelulares de neurônios da BLA e verificamos que a grelina é capaz de aumentar ou diminuir o potencial de membrana de neurônios deste núcleo. Em seguida, analisamos as alterações comportamentais causadas pela privação alimentar, um estímulo fisiológico que aumenta a grelina plasmática, e da administração exógena de grelina sobre os comportamentos análogos à ansiedade e sobre a atividade exploratória. Nestes experimentos verificamos que a privação alimentar diminui o comportamento análogo à ansiedade no labirinto em cruz elevado e não altera a atividade exploratória no campo aberto e no campo aberto modificado. No entanto, a grelina não afetou o comportamento análogo à ansiedade no labirinto em cruz elevado. Em conjunto os resultados descritos nessa tese demonstram que a grelina afeta núcleos encefálicos envolvidos com o controle de diversas funções fisiológicas, e provê um substrato neurobiológico para algumas funções deste hormônio. No entanto, não observamos efeitos comportamentais de grelina, o que sugere a necessidade de estudos futuros para elucidar a participação da grelina nas respostas comportamentais que medeiam a resposta à situações de déficit calórico, como a privação alimentar.