Ansiedade: dos genes ao comportamento
ansiedade, estresse, epigenética
Os transtornos de ansiedade estão entre as doenças psiquiátricas de maior incidência, apresentando alta comorbidade com outros transtornos como depressão e abuso de substâncias. De etiologia considerada complexa, a ansiedade é frequentemente relacionada ao estresse, de forma que uma parte significativa de estudos foi inicialmente dedicada à investigação de alterações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Mais recentemente, com o avanço das técnicas de biologia molecular novas possibilidades têm despontado no campo dos transtornos de ansiedade. Pesquisas com pares de gêmeos têm demostrado que transtornos de ansiedade são moderadamente hereditários. Entretanto, estudos genômicos de associação (GWA) falharam em identificar genes significativamente associados ao diagnóstico. Tais resultados indicam a relevância do ambiente, bem como a associação de fatores epigenéticos para o desenvolvimento dos distúrbios. Estudos de associação em epigenomas completos (EWA) demonstraram a alteração da metilação do DNA em pacientes com transtornos de ansiedade. De forma semelhante, experimentos com animais de laboratório procuram detectar as alterações epigenéticas relacionadas aos comportamentos análogos à ansiedade nestes animais. De fato, diversas evidências na literatura apontam para a possibilidade da propagação de alterações epigenéticas através das gerações, juntamente com alterações comportamentais na prole. Com isso, a neuroepigenética pode vir a explicar variações individuais na susceptibilidade aos estresses ambientais, bem como ajudar a determinar marcadores relacionados à ansiedade e que possam vir a se tornar alvos para futuros tratamentos.