O consumo materno de dieta hiperlipídica promove alterações na pressão sistólica e na concentração plasmática de sódio na prole de ratos adultos.
Dieta hiperlipídica. Programação metabólica. Doenças cardiovasculares
Uma alimentação materna inadequada está relacionada ao desenvolvimento de doenças e problemas de saúde, como obesidade e sobrepeso, doenças cardiovasculares e podem causar programação metabólica em sua descendência. Nosso grupo de pesquisa demonstrou anteriormente que o consumo materno de dieta hiperlipídica promoveu aumento da adiposidade e hiperleptinemia na prole de ratas ao desmame, além de prejuízo na função sistólica aos 30 dias de idade. Este estudo teve como objetivo investigar o efeito do consumo matermo de dieta hiperlipídica sobre a pressão arterial de ratos adultos e o possível envolvimento do íon sódio neste processo. Para isso, ratas Wistar receberam dieta controle (9% lipídeos, grupo C) ou hiperlipídica (29% lipídeos, grupo DH) durante 8 semanas antes do acasalamento, e durante a gestação e lactação. As progenitoras C e DH deram origem as proles controle (C) e hiperlipídica (DH), respectivamente. Após o desmame, parte da prole foi eutanasiada e o restante aos 180 dias de idade. No desmame foram avaliados: peso corporal, hipertrofia cardíaca, peso dos rins e tecidos adiposos brancos, concentração de sódio no sangue e pele e aos 180 dias foram avaliados: peso corporal, ingestão alimentar e hídrica, peso dos rins e coração, tecidos adiposos brancos, concentração de sódio no sangue, urina e pele. Na urina além do volume urinário foram analisados creatinina, K+, Cl-, Ca+2. Ao desmame a prole DH apresentou maior massa corporal, hipertrofia cardíaca, e apenas nos machos houve aumento de peso seco da pele e o conteúdo total de água da pele foi reduzido, assim como o sódio relativo da pele. Aos 180 dias de idade, não houve variação, entre as proles, da massa corporal, tecidos adiposos brancos, ingestão alimentar e hídrica, peso dos rins assim como na avaliação indireta de hipertrofia cardíaca. Os machos DH apresentaram pressão sistólica maior em relação aos machos CO assim como aumento do sódio plasmático, não havendo alteração do sódio urinário entre os grupos, nas análises bioquímicas somente no machos DH foi observado diminuição do eletrólito Cl-. O conteúdo total de água da pele foi reduzido nos machos DH. Nenhuma dessas alterações foi detectada nas fêmeas. Quando avaliamos as concentrações de sódio nas amostras de urina e epitélio, não houve diferença. Nossos resultados demonstram que o consumo materno de dieta hiperlipídica promove aumento na concentração plasmática de sódio e da pressão sistólica na prole adulta de modo sexo-específico. Esses eventos podem estar relacionados com o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como a hipertensão.