Ritmos Biológicos: Conceitos, mecanismos moleculares e zeitgebers não-fóticos
Ritmos biológicos, cronobiologia, zeitgebers não-fóticos, oscilador de entrada pela alimentação
As características geofísicas do planeta Terra quanto a seus movimentos no espaço, especialmente o movimento de rotação em seu próprio eixo, criam dois ambientes bem estabelecidos: dia e noite. A vida no planeta evoluiu com esse paradigma e se adaptou de forma que mostra diferenças entre estas duas situações, criando ritmos que se repetem a cada 24 horas. Estes são chamados ciclos circadianos (do latim: circa = aproximadamente; dies = dia), no qual o mais proeminente nos animais é o ciclo sono-vigília. Os organismos vivos, “sabendo” do ciclo dia e noite, se preparam para estas mudanças na chamada homeostase preditiva, o que é pivotal para a sobrevivência. Tudo isso é possível devido a um complexo mecanismo molecular que é altamente dependente da luz solar, que recebe a denominação de zeitgeber, controlando o relógio central. Ainda que a luz seja o principal zeitgeber indicando em áreas centrais envolvidas no controle rítmico (sendo o núcleo supraquiasmático do hipotálamo o principal sítio) sobre o fotoperíodo vigente, outros zeitgebers podem influenciar a homeostase preditiva. O principal zeitgeber não-fótico é a comida, no chamado oscilador de entrada pela alimentação (FEO, da sigla em inglês para food-entrainment oscillator), que pode fortemente influenciar a homeostase preditiva do organismo animal. Outros zeitgebers incluem a temperatura que tem uma importância no controle de ritmos infradianos através das estações que são bastante importantes. Por fim, mais recentemente, a sede e a ingestão de água, que há muito têm sido mostradas ter um componente preditivo relacionado com o ciclo sono-vigília, tem sido implicado como um possível zeigeber influenciando as alterações circadianas no organismo animal.