O papel do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF) na Depressão
Depressão, neuroplasticidade, BDNF, antidepressivos
De acordo com dados publicados em 2017 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o número total de pessoas que vivem com depressão no mundo é de 322 milhões. As consequências desse distúrbio são enormes. A depressão é considerada como a principal colaboradora nas mortes causadas por suicídio, que chega a 800 mil por ano. Caracterizada por distúrbios na cognição, regulação emocional, memória e sintomas neurovegetativos, a depressão pode causar uma incapacidade severa que afeta negativamente a qualidade de vida de indivíduos acometidos. Os mecanismos relacionados à fisiopatologia da depressão são complexos e ainda não foram elucidados completamente, porém diversos estudos apontam algumas teorias, como anormalidades no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), diminuição de neurotransmissores monoaminérgicos, processos inflamatórios, alterações vasculares, genéticas e epigenéticas, além da diminuição da neurogênese e neuroplasticidade.O processo da neuroplasticidade é controlado por neurotrofinas, proteínas encontradas no sistema nervoso central que desempenham suas funções promovendo crescimento e diferenciação de novos neurônios e sinapses. O BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro) é considerado como a principal neurotrofina do cérebro, tem expressão principalmente no hipocampo, neocórtex, amígdala e cerebelo. O BDNF está diretamente relacionado com os mecanismos de aprendizado e memória. E ainda, há evidências crescentes sugerindo que a via de sinalização do BDNF possa estar envolvida na fisiopatologia da depressão, bem como na ação terapêutica dos fármacos antidepressivos. Estudos demonstram que os níveis de BDNF estão diminuídos em pacientes depressivos. Ainda mais importante, talvez, seja o fato de que quantidades reduzidas de BDNF possam ser restauradas a níveis normais com o tratamento crônico feito com antidepressivos. Outro fato relevante refere-se à capacidade do BDNF em atravessar a barreira hematoencefálica, e os seus níveis no soro e plasma terem uma alta correlação com o BDNF encontrado no líquido cefalorraquidiano, podendo ser utilizado então como um biomarcador no transtorno depressivo.