Efeito da sede intracelular nas respostas exploratórias e análogas a ansiedade em ratos: possível participação dos receptores AVPR1a e OTR.
Sede, privação hídrica, sobrecarga salina, ansiedade, receptor de
vasopressina do tipo 1a, receptor de ocitocina.
A sede é uma sensação essencial para o desenvolvimento de alterações
comportamentais que culminem com a ingestão de água, resposta vital para a
manutenção da homeostase hidrossalina. Animais que passam por privação hídrica e/ou
alimentar em geral estão mais dispostos a assumir riscos para a sua sobrevivência, nesse
sentido, a privação hídrica e a sobrecarga salina foram estímulos utilizados para
desencadear a sede intracelular. Nessas condições a vasopressina (AVP) e ocitocina
(OT) são secretadas por neurônios magnocelulares através da neurohipófise e alcançam
a circulação sistêmica. A saber, recentes estudos demonstraram que neurônios
magnocelulares vasopressinérgicos se projetam para regiões extra-hipotalâmicas, que
incluem a habênula e a amígdala. Sendo assim, o presente estudo teve o objetivo de
analisar o efeito do aumento da osmolalidade plasmática nos comportamentos
exploratório e análogos a ansiedade em ratos submetidos à privação hídrica e sobrecarga
salina, além de avaliar a expressão gênica de receptores de AVP do tipo 1a (AVPR1a) e
OT (OTR), na amígdala basolateral, amígdala central e habênula, assim como, a enzima
que sintetiza GABA (GAD67) e o transportador vesicular de glutamato (VGLUT2)
nestes núcleos. Para tanto, ratos Wistar machos foram randomicamente separados em
cinco grupos experimentais: Controle (CT), privação hídrica por 24 horas (PH24h) e 48
horas (PH48h) e sobrecarga salina com NaCl 1,8% por 24 horas (SS24h) e 48 horas
(SS48h). Todos os grupos foram submetidos a análises plasmáticas, testes
comportamentais e análise da expressão gênica através de RT-qPCR. Todos os dados
são descritos como média ± erro padrão da média e as diferenças foram consideradas
significativas quando p < 0,05. A osmolalidade plasmática aumentou significativamente
nos grupos PH48h (p = 0,0039) e SS48h (p = 0,0176). No labirinto em cruz houve
aumento da porcentagem de entradas no braço aberto nos grupos PH48 (p= 0,0079) e
SS48h (p=0,0015), assim como, maior tempo dispendido nos braços abertos PH48h (p =
0,0029) e SS48h (p< 0,0001), indicando uma resposta claramento ansiolítica.
Adicionalmente, na regressão linear foi observada uma correlação diretamente
proporcional entre a osmolalidade plasmátia e o tempo de permanência no braço (p =
0.0004, r = 0,259). No campo aberto nenhuma diferença foi observada, indicando que
os animais não aumentaram a atividade locomotora espontânea. Já na caixa claro e
escuro apenas o grupo PH48h (p = 0,0424) apresentou aumento no tempo de
permanência na área clara. Em relação a expressão gênica, observamos aumento
signicativo na expressão de AVPR1a (p = 0,0345) e OTR (p = 0,0103) no grupo PH48h
na amígdala. Nossos resultados indicam que a hiperosmolaridade plasmática induzida
por 48horas de privação hídrica ou sobrecarga salina é capaz de suscitar
comportamentos ansiolíticos em ratos e é possível que os receptores de AVPR1a e OTR
medeiem essa resposta na amígdala central.