Impacto da COVID-19 sobre o Sistema Cardíaco: Mecanismos e Prognósticos por Biomarcadores
COVID-19, sistema cardíaco, biomarcadores, enzima conversora de angiotensina II (ECA2).
Em dezembro de 2019, um novo coronavírus chamado de síndrome respiratória aguda grave – coronavírus 2 (Sars-CoV-2), nomeado pelo Organização Mundial de Saúde (OMS) de COVID-19, surgiu na província de Wuhan, na China. Difundido de forma global, foi considerada uma pandemia com aproximadamente 154 milhões de casos e mais de 3 milhões de mortes pelo mundo. Seus sintomas incluem dor de cabeça, febre, tosse e falta de ar, este último considerado o principal sintoma. Porém, estudos mostram uma relação entre o Sars-CoV-2 e o músculo cardíaco, tendo em vista que pacientes com problemas cardíacos parecem apresentar um pior prognóstico da doença. O vírus usa os receptores da enzima conversora de angiotensina 2 (ECA2) para invadir as células humanas, como os cardiomiócitos, desregulando o eixo do sistema renina angiotensina aldosterona (SRAA) contribuindo dessa forma para um aumento nos níveis de angiotensina II devido a falta do mecanismo contrarregulador da ECA2. A resposta do organismo desses pacientes ao vírus leva a um quadro de inflamação sistêmica na qual se observa a elevação de marcadores inflamatórios como proteína C reativa (PCR), Interleucina 6 (IL-6) e ferritina. As dosagens aumentadas de biomarcadores cardíacos como troponina, N-terminal pró-peptídeo natriurético tipo B (NT-proBNP), creatinoquinase (CKMB) e mioglobina conferem um mal prognóstico para a evolução da COVID-19, geralmente associado ao aparecimento de insuficiência cardíaca aguda, miocardite e arritmias. As complicações cardiovasculares pioram a resposta do organismo ao vírus, levando ao choque, falência de múltiplos órgãos e morte.