DELIMITAÇÃO DAS ZONAS POTENCIAIS E ANÁLISES HIDROQUÍMICAS DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS NA REGIÃO HIDROGRÁFICA IV-PIABANHA (RJ)
Aquífero Fraturado. Sistema de Informação Geográfica. Processo de Análise Hierárquica. Hidrogeoquímica.
A complexidade do comportamento hídrico em meios fraturados, muito frequentes no Rio de Janeiro, representa um desafio para a gestão destes recursos. A Região Hidrográfica do Piabanha (RH-IV) é a quarta região hidrográfica do estado do Rio de Janeiro que mais explora água subterrânea, com problemas constantes de racionamento hídrico e pouco conhecimento das condições hidroquímicas e hidrodinâmicas de seus aquíferos, predominantemente fraturados. Os objetivos deste trabalho foram delimitar as zonas potenciais para a exploração das águas subterrâneas e discutir os comportamentos hidroquímicos na RH-IV, como um modelo de estudos para outras regiões. A delimitação de zonas potenciais, usando sensoriamento remoto, Sistema de Informações Geográficas (SIG) e Processo de Hierarquia Analítica (AHP), constituiu um ferramental eficaz e pouco oneroso, se comparado com outros levantamentos (geofísico, geológico e hidrogeológico). Já a análise hidroquímica foi realizada a partir de dados secundários avaliados por diagramas, razões hidroquímicas e análise da salinização (RAS – Risco de Adsorção do Sódio), tendo em vista não só a influência natural, mas também antrópica nas águas subterrâneas da RH-IV. O mapa de potencialidade de águas subterrâneas foi elaborado considerando cinco classes sendo elas: muito altas (17,61%), altas (35,56%), moderadas (28,16%), baixas (11,05%) e muito baixas (7,61%). Os critérios mais relevantes para potencialidade de águas subterrâneas na RH-IV foram solos, densidade de lineamentos, geologia e precipitação. Para fornecer subsídios para análise dos dados hidroquímicos foi gerado um modelo preliminar de fluxo, que apontou o fluxo de água subterrânea no sentido SE para NW, em direção do Rio Paraíba do Sul. A recarga principal do sistema subterrâneo ocorre na região da Serra dos Órgãos, nos municípios de Petrópolis e Teresópolis, enquanto a descarga na região de Três Rios e Carmo. Foram classificados 6 tipos hidroquímicos de água subterrânea, sendo predominante as águas bicarbonatadas cálcicas (48%), seguida de bicarbonatadas sódicas (29%). As águas bicarbonatadas magnesianas (10%), cloretadas sódicas (10%), bicarbonatada mista (2%) e sulfatada magnesiana (2%) também foram identificadas. Foram identificados valores anômalos de NO3-, Fe, Cd, U e Mn em aquíferos da RH-IV. Quanto ao risco de salinização, 94% das amostras apresentaram risco nulo ou baixo. Os poços que apresentaram risco de salinização médio ou alto encontram-se sob influência antrópica da urbanização e/ou da irrigação. A evidência de salinização dos aquíferos da RH-IV deve ser considerada no modelo de gestão de recursos hídricos, tendo em vista os usos das águas subterrâneas, as dificuldades de remediação para sistemas aquíferos e a possível evolução desse quadro na RH-IV ao longo do tempo.