Vulcanologia Física e Química da Formação Paranapanema em Pitanga (PR) na Bacia do Paraná
Vulcanologia física; Formação Paranapanema; Província Magmática do Paraná.
Este estudo apresenta uma investigação detalhada dos basaltos de alto-Ti da Formação Paranapanema, situada no município de Pitanga (PR), unidade que representa o estágio final do vulcanismo da Província Magmática do Paraná (PMP) durante o Cretáceo Inferior. O trabalho apresenta uma caracterização integrada da litoestratigrafia, petrografia e litogeoquímica de dez fluxos de lava das morfologias simple e rubbly pahoehoe. O objetivo principal da dissertação consiste em compreender os mecanismos de colocação e a extensão lateral dessas lavas, além de interpretar as condições paleoambientais vigentes durante o emplacement das lavas e abordar os aspectosda paleotopografia local. Os resultados demonstram que ambas as morfologias possuem teores de SiO₂ semelhantes, indicando que a polimerização da sílica não foi o fator primário no controle da tensão interna das lavas. Contudo, os fluxos rubbly mostram-se mais magnésicos, cálcicos e titaníferos, apresentando maior depleção em elementos-traço incompatíveis em comparação às lavas simple pahoehoe. Tais discrepâncias químicas em amostras com teores de MgO similares indicam que as duas morfologias não são cogenéticas em um processo de diferenciação em sistema fechado. Sugere-se que os magmas tenham origem em uma mesma câmara que sofreu recargas periódicas de magma basáltico, hipótese sustentada pelo enriquecimento cíclico de MgO na estratigrafia e por texturas de sistema aberto, como zoneamento composicional e feições de peneiramento (sieve texture) em macrocristais de plagioclásio. Petrograficamente, ambas as morfologias exibem texturas de resfriamento rápido, incluindo matriz hialopilítica e cristais com cauda de andorinha. A litogeoquímica provou ser uma ferramenta eficaz para a correlação regional, permitindo estabelecer a extensão lateral mínima de dois fluxos rubbly em 14 e 20 quilômetros, respectivamente. Essa conclusão baseia-se na observação de que a variação química entre os núcleos dos fluxos em diferentes regiões é inferior à margem de erro das técnicas analíticas relacionadas à aquisição de dados litogeoquímicos. Essa abordagem permitiu inferir uma paleotopografia com inclinação suave, inferior a 0,34º. Adicionalmente, o predomínio das frações silte e argila e a pobre seleção da matriz sedimentar dos topos brechados das lavas rubbly, bem como a presença de peperitos, indicam uma transição paleoclimática de condições áridas, reportadas em trabalhos prévios para a base do Grupo Serra Geral, para um ambiente com maior disponibilidade hídrica no topo deste. Este trabalho contribui para o entendimento dos mecanismos de colocação de derrames basálticos continentais e fornece informações para a reconstrução paleoambiental, consolidando uma base litoestratigráfica para a Formação Paranapanema na área de estudo.