Cinza sobre o Verde: A Influência da Milícia no Espraiamento Urbano e Desmatamento no Rio de Janeir
Espraiamento Urbano; Milícias; Desmatamento; Rio de Janeiro
O crescimento urbano tem se intensificado como uma preocupação crescente à medida que as cidades expandem suas fronteiras e aumentam suas populações. Projeções indicam um aumento nas áreas urbanas de 1,2 a 1,8 milhões de km2 entre 2000 e 2030 devido ao crescimento populacional e ao desenvolvimento econômico (Seto et al., 2012; GÜNERALP e Seto, 2013; McDonald et al., 2018). No Brasil, a transformação da estrutura urbana é evidente, com a população urbana aumentando de 55,9% em 1970 para 86,3% em 2020 (IPEA, 2022). Este aumento é particularmente notável no Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense, regiões que esta dissertação investiga no contexto do espraiamento urbano e sua interseção com a expansão de grupos paramilitares, conhecidos como Milícias, e seus impactos ambientais resultantes, principalmente o desmatamento decorrente de ocupações e loteamentos irregulares. A Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ), sendo a segunda maior do Brasil em termos populacionais, apresenta desafios significativos em termos de expansão urbana e criminalidade. Este estudo procura entender os fatores que contribuem para a expansão da malha urbana e examina se a criminalidade, especificamente a ascensão das milícias, serve como um vetor para o desmatamento na região. A metodologia adotada compreende três eixos principais: a análise exploratória de dados (AED), a construção do índice de infraestrutura urbana (IIU) e a análise de regressão logística. Focando na área urbana do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense no período a partir de 2010, este estudo busca estabelecer quais fatores aumentariam a probabilidade do desmatamento, este marcado pela extensão urbana na RMRJ. A AED revelou um crescimento notável das milícias, bem como uma extensão significativa de desmatamento. O IIU desenvolvido demonstra uma deterioração da infraestrutura urbana conforme se afasta do centro, indicando uma crescente periferização da RMRJ. Finalmente, os resultados da regressão logística demonstram que uma menor qualidade de infraestrutura urbana está ligada com aumento das chances de desmatamento. Além disso, as milícias também representam um fator significativo no desmatamento da região, visto que as chances de ocorrência do desmatamento na presença da milícia são 76,1% maiores em comparação com a sua ausência. A avaliação dos efeitos da criminalidade no planejamento urbano da RMRJ mostra uma clara necessidade de integração e cooperação entre as forças de segurança pública e os órgãos de fiscalização ambiental. A análise sugere que políticas públicas robustas são necessárias para combater o espraiamento urbano e controlar o desmatamento, com um foco particular na manutenção das áreas verdes e na gestão sustentável do crescimento urbano. O estudo ressalta a importância da cooperação entre agências de segurança e os órgãos reguladores para a correta
aplicação da legislação ambiental, assim como garantir a segurança dos fiscais. Além disso, há a necessidade de abordagens multidisciplinares no planejamento urbano que considerem tanto a segurança quanto a sustentabilidade ambiental para enfrentar os complexos desafios que a urbanização descontrolada pela ocupação irregular estaria propiciando ao ERJ.