Crescimento sustentável no Brasil: Análise do grau de desacoplamento entre o PIB e os gases de efeito estufa entre os anos de 1991 a 2021.
Desacoplamento. crescimento sustentável. índice de Tapio.
Esta dissertação analisa o crescimento sustentável no Brasil por meio do grau de
desacoplamento entre o Produto Interno Bruto (PIB) e as emissões de gases de efeito
estufa (GEE) nos setores agropecuário e de indústria de transformação entre 1991 e
2021. O Objetivo é investigar, a nível federal e regional, a relação entre a variação do
PIB setorial e a variação das emissões de CO2, empregando o índice de Tapio, que
classifica em oito cenários de acoplamento e desacoplamento. Os dados de PIB foram
obtidos no Ipeadata do IBGE e as estimativas de emissões no portal SEEG do
Observatório do Clima. Os resultados mostram que, no setor agropecuário, predomina
o desacoplamento negativo forte, revelando crescimento das emissões em paralelo à
retração do PIB. O único ano com desacoplamento forte foi 2007. A análise regional
apresenta o desempenho ambiental mais eficiente da região Sul, em contraste com o
Centro-Oeste, no qual a alta emissão não corresponde a quantidade produzida. Na
indústria de transformação, os dados revelam um cenário mais favorável. Em
dezessete dos trinta anos analisados, foram observados estágios de desacoplamento
forte, fraco ou recessivo, demonstrando, em alguns momentos, avanços na
dissociação entre emissões de GEE e crescimento econômico. No entanto, nove anos
foram classificados como desacoplamento negativo forte, com piora simultânea dos
indicadores ambiental e econômico, concentrando-se especialmente na década de
2010. A mudança estrutural da economia brasileira, de um modelo agroexportador
para uma industrialização verde, é apresentada como uma alternativa para antecipar
o ponto de inflexão da Curva de Kuznets Ambiental (EKC), conciliando crescimento
econômico e sustentabilidade ambiental. O trabalho destaca a importância de políticas
industriais voltadas à modernização produtiva com base em tecnologias de baixo
carbono, bem como a necessidade de planejamento de longo prazo para estimular a
transição para uma economia verde. Considerando que o Brasil possui matriz
energética relativamente limpa e vantagens em recursos naturais, uma nova
industrialização orientada à sustentabilidade surge como caminho promissor para
conciliar desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental.