INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA NO ÍNDICE DE FEMINICÍDIOS: UMA ANÁLISE CORRELACIONAL NA REGIÃO MÉDIO PARAÍBA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (2017-2024)
Feminicídio. Temperatura. Violência de Gênero. Volta Redonda.
O presente relatório de pesquisa investiga a correlação entre as variações de temperatura e os índices de feminicídio e violência doméstica contra a mulher no município de Volta Redonda, situado na Região Médio Paraíba do Estado do Rio de Janeiro, compreendendo o período longitudinal de 2017 a 2024. A hipótese central fundamenta-se na convergência entre a Teoria do Estresse Térmico e o Modelo Geral de Agressão (GAM), as quais postulam que o desconforto fisiológico provocado por altas temperaturas atua como um catalisador de comportamentos agressivos, mediado por déficits na regulação emocional e alterações cognitivas. O objetivo principal consiste em verificar se picos de calor e anomalias climáticas positivas influenciam o aumento da violência letal e não letal contra mulheres em um contexto urbano industrial marcado por ilhas de calor. A metodologia adotada possui abordagem quantitativa e correlacional, utilizando dados meteorológicos do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e estatísticas criminais do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), processados via linguagem Python. As técnicas estatísticas aplicadas incluíram o cálculo dos coeficientes de correlação de Spearman, modelagem de regressão linear para verificar a preditividade da temperatura sobre as tentativas de feminicídio e testes de Mann-Whitney para comparar períodos de ondas de calor com dias de temperatura normal. Os resultados indicaram uma correlação fraca para feminicídios consumados (r = 0,19), porém revelaram uma relação estatisticamente significativa entre temperatura máxima e tentativas de feminicídio (p = 0,0413), onde a regressão linear apontou um aumento médio de 0,14 casos para cada grau Celsius elevado. A análise de sazonalidade destacou o mês de dezembro como o período crítico, sugerindo uma sobreposição sinérgica de fatores climáticos com estressores sociais típicos das festividades, como o aumento do consumo de álcool. Conclui-se que o clima atua como um fator exacerbador em contextos de vulnerabilidade social preexistente.