O ENSINO DAS LUTAS PARA INCLUSÃO DE ESTUDANTES TEA NA EDUCAÇÃO FÍSICA
Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista; Artes Marciais; Desenvolvimento
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta aproximadamente 1 em cada 36 crianças e frequentemente está associado a déficits significativos no desenvolvimento psicomotor, incluindo dificuldades em coordenação motora, equilíbrio, lateralidade e percepção corporal. Embora as lutas adaptadas tenham emergido como uma estratégia promissora de intervenção, há escassez de evidencias sistemáticas sobre sua eficácia no desenvolvimento psicomotor de crianças com TEA. O objetivo do estudo é realizar uma revisão sistemática da literatura sobre os efeitos das lutas adaptadas no desenvolvimento psicomotor de crianças com TEA e propor um protocolo de intervenção baseado em evidências. Será conduzida uma revisão sistemática seguindo as diretrizes PRISMA 2020. As buscas foram realizadas nas bases SciSpace, PubMed/MEDLINE e Literatura Cinzenta (Google Scholar), utilizando termos relacionados a TEA, lutas/artes marciais e desenvolvimento psicomotor. Foram incluídos estudos experimentais e quase-experimentais com crianças de 4-16 anos diagnosticadas com TEA, que avaliaram intervenções com lutas adaptadas e seus efeitos no desenvolvimento psicomotor. Dois revisores independentes realizarão a seleção dos estudos e extração de dados. A qualidade metodológica será avaliada usando ferramentas apropriadas para cada tipo de estudo. Já foram identificados 2 estudos que atenderam aos critérios de inclusão, totalizando aproximadamente 52 participantes. Yip (2019) demonstrou melhorias significativas em coordenação bilateral e corporal após 4 semanas de artes marciais com pistas de obstáculos em 10 crianças com TEA. Morales et al. (2022) encontraram melhorias significativas em habilidades motoras e comportamentos psicossociais após 6 meses de judô adaptado. Ambos os estudos apresentaram limitações metodológicas importantes, incluindo amostras pequenas e ausência de grupos controle adequados. Como resultado, o estudo pretende contribuir com a formação docente e com a implementação de práticas mais inclusivas no contexto escolar, fortalecendo o papel da Educação Física como promotora da inclusão e do desenvolvimento humano integral. Ao valorizar as lutas como conteúdo pedagógico adaptável e significativo, busca-se ampliar as possibilidades de participação de alunos neurodivergentes nas aulas, respeitando suas especificidades e promovendo a convivência com os demais estudantes.