Análise composicional, estrutural e morfológica de conchas de Bulimulus tenuissimus e Biomphalaria glabrata sob infecção parasitária
Degradação microestrutural; Biomineralização; Difração de raios X (DRX); Método de Williamson-Hall; Biomarcadores ambientais.
Este trabalho investiga os efeitos da infecção parasitária sobre a microestrutura de conchas de carbonato de cálcio (CaCO₃) das espécies Bulimulus tenuissimus (constituída de calcita) e Biomphalaria glabrata (constituída de aragonita). O objetivo principal foi caracterizar as alterações cristalográficas e morfológicas induzidas pelos parasitas Angiostrongylus cantonensis e Echinostoma paraensei. Sob a hipótese de que a castração parasitária redireciona os recursos energéticos do hospedeiro, processos de alto custo metabólico, como a biomineralização da concha, tornam-se vulneráveis. A metodologia envolveu um delineamento experimental com infecções simples e coinfecções, utilizando as técnicas de Difração de Raios X (DRX), Espectroscopia no Infravermelho (FTIR) e Espectroscopia Raman. Para a análise quantitativa, foi desenvolvido um pipeline computacional em Python fundamentado no método de Williamson–Hall, permitindo estimar o tamanho médio do cristalito (D) e a microdeformação (ε). Os resultados indicam que a calcita de B. tenuissimus apresenta um acúmulo de tensão interna e redução gradativa de (D) em resposta ao parasitismo. Em contrapartida, a aragonita de B. glabrata demonstrou maior sensibilidade estrutural, evidenciada pelo aumento de (D) durante a coinfecção, sugerindo uma perda do controle biológico sobre a deposição mineral. Adicionalmente, a correlação de Hall-Petch indicou uma redução na resistência mecânica (σᵧ) dos grupos infectados. Conclui-se que as alterações cristalográficas nas conchas constituem um registro mensurável do estresse fisiológico do hospedeiro, estabelecendo as bases para a proposição de um novo biomarcador aplicável ao monitoramento da saúde de populações de moluscos em ecossistemas naturais.