INFLUÊNCIA DA APLICAÇÃO FOLIAR DE SUBSTÂNCIAS HÚMICAS EXTRAÍDAS DE VERMICOMPOSTO E DE LODO DE ESGOTO SOBRE PARÂMETROS MORFOFISIOLÓGICOS DE ARROZ (Oryza sativa L.) CV. PIAUÍ
Agroecologia; Humus; Hortaliças
As substâncias húmicas (SH) são consideradas os principais e mais estáveis componentes da matéria orgânica do solo (abrangendo cerca de 70-80% de todo conteúdo orgânico), apresentando diversos grupos químicos como: carboidratos, carboxilas, hidroxilas fenólicas, metoxilas, dentre outros, sendo fundamentais para um incremento na fertilidade de solos, operacionalmente podendo ser classificadas de acordo com a sua solubilidade em meio aquoso nas seguintes frações: ácidos fúlvicos (AF), ácidos húmicos (AH) e humina (HUM). Um melhor entendimento das características químicas e estruturais das SH permite uma compreensão mais profunda de suas influências no desenvolvimento de plantas, sendo um ponto relevante o estudo da relação entre a estrutura, a propriedade e as funções exercidas pelas SH, o que possibilita um maior esclarecimento sobre os mecanismos de ação destas substâncias em parâmetros relacionados ao crescimento vegetal. Neste cenário, muitas pesquisas são conduzidas para avaliar a eficiência de produtos à base de SH usados como alternativas de fertilizantes orgânicos ou organominerais. No entanto, a maioria dos trabalhos nessa temática explora os efeitos das SH quando aplicadas via radicular, sendo ainda relativamente poucos os estudos sobre aplicação foliar de materiais humificados. Portanto, o objetivo do presente trabalho foi avaliar a influência da aplicação foliar de AH e AF de fontes diferentes na cultura do arroz (Oryza sativa L.) cultivar Piauí, verificando se há diferença no modo de ação destas frações no desenvolvimento vegetal. Os experimentos foram conduzidos no Departamento de Solos do Instituto de Agronomia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ/IA/DS), localizado no município de Seropédica, estado do Rio de Janeiro, Brasil. Para a aplicação foliar foram utilizadas as seguintes frações húmicas: ácidos húmicos (AH) e ácidos fúlvicos (AF), extraídos a partir de vermicomposto de esterco bovino (obtido junto à Fazendinha Agroecológica do Km 47) e lodo de esgoto (obtido junto ao Instituto de Florestas da UFRRJ) e caracterizados mediante a técnica espectroscópica de RMN do carbono 13. O processo de extração e purificação foi realizado de acordo com a metodologia recomendada pela Sociedade Internacional de Substâncias Húmicas. Foram preparadas soluções com diferentes concentrações de AH e AF para serem aplicadas, com o intuito de se verificar qual a dose que melhor desencadeou efeitos no crescimento vegetal (massas seca e fresca de raízes, bainhas e folhas). Após este experimento de dose resposta, foram escolhidas as melhores doses de cada fração e fonte (AHVC 60, AH Lodo 100, AFVC 60 e AF Lodo 60) para serem aplicadas na mesma cultura, avaliando demais parâmetros:massa seca e fresca das raízes e parte aérea, frações solúveis e fluorescência. Os resultados foram submetidos à análise estatística no software Sigmaplot, utilizando teste Tukey a 5% de probabilidade. Nas análises estruturais das SH, percebe-se diferenças entre as fontes utilizadas, com o AH Lodo obtendo maiores quantidades de C alifáticos e AHVC de carbonos aromáticos, enquanto que AFVC obteve predominância de alifáticos oxigenados e AF Lodo de carbonilas. Nos experimentos de dose resposta, o AH Lodo proporcionou maiores resultados com a maior dosagem (100 mg.L) enquanto que AHVC e AFVC obtiveram maiores valores com dosagem intermediária (60 mg.L). No experimento final de biomassa, foi verificada diferença significativa no parâmetro massa seca da folha, com o tratamento AF Lodo resultando no maior valor. No teste de fluorescência, foram observados aumentos no desempenho fotossintético das plantas tratadas com SH. Em relação às frações solúveis, foram verificadas reduções nos teores médios de nitrato nos tecidos vegetais após a aplicação foliar dos tratamentos húmicos. De um modo geral, as diferenças estruturais relacionadas à origem das SH se refletiram em sua atuação no desenvolvimento das plantas de arroz, indicando mecanismos distintos de ação.