Avaliação Ecotoxicológica De Compostos De Resíduos Sólidos Urbanos Com Fins Agrícolas
Sustentabilidade, Ecotoxicologia Terrestre, Eisenia andrei, Folsomia candida, Variabilidade de Resíduos
A compostagem de resíduos sólidos urbanos apresenta-se como alternativa para o manejo sustentável, porém a variabilidade da matéria-prima pode implicar riscos ecotoxicológicos. Este estudo avaliou a qualidade e a toxicidade de diferentes lotes de um composto orgânico urbano, produzido em escala industrial, focando na interação com a biota do solo e plantas. Foram realizadas caracterizações físicas e químicas do composto e ensaios ecotoxicológicos (Eisenia andrei, Folsomia candida, Lactuca sativa e Cucumis sativus) em misturas de solo natural (Argissolo) com doses crescentes do composto (0, 5, 10, 20, 30 e 40%), abrangendo três lotes anuais distintos (2023, 2024 e 2025). A caracterização física revelou que os lotes mais recentes (2024 e 2025) apresentaram alta microporosidade e baixa densidade, atuando como retentores de umidade e contaminantes. Os resultados ecotoxicológicos demonstraram uma toxicidade severa e crescente ao longo dos anos: enquanto o lote de 2023 apresentou menor impacto, os lotes de 2024 e 2025 causaram letalidade massiva (>90%) e inibição total da reprodução da fauna edáfica nas concentrações acima de 20%. Observou-se um forte comportamento de fuga em E. andrei, indicando a presença de substâncias repelentes ou condições físicas desfavoráveis. Nos ensaios com plantas, houve inibição da germinação e do desenvolvimento radicular nas maiores doses, embora concentrações baixas (5%) tenham estimulado o crescimento (efeito hormético). Conclui-se que, apesar do potencial fertilizante em baixas doses, o uso indiscriminado deste composto urbano apresenta riscos agudos à biota do solo, exacerbados pela variabilidade dos lotes e pelas características físicas que potencializam a biodisponibilidade de contaminantes. Recomenda-se rigoroso controle de qualidade e restrição de doses para garantir a segurança ambiental.