Pegada de carbono da bovinocultura de corte no bioma Amazônico
Pecuária, Mitigação, Pegada de carbono
A pecuária bovina é uma das principais atividades econômicas no Brasil e com crescente expansão na região Norte do país com destaque para o Estado do Pará. Apesar de se constituir uma alternativa importante de proteína animal para consumo interno e exportação, a pecuária bovina no Brasil é executada com baixa eficiência produtiva e em moldes que geralmente levam a degradação das pastagens. Diversos trabalhos têm mostrado que a produção de bovinos representa uma fonte significativa de emissão de gases de efeito estufa (GEE), por meio da fermentação entérica, decomposição das excretas e insumos atrelados ao sistema de produção. Esses gases somados a outras fontes podem influenciar a composição da atmosfera e contribuir para mudanças climáticas. Diante da importância econômica da pecuária no país, da das emissões de GEE oriundas dessa atividade e da relevância do bioma amazônico no cenário nacional e internacional, este trabalho teve como objetivo: Avaliar em condições reais no Estado do Pará a pegada de C na produção de bovinos em diferentes cenários tecnológicos e gerar índices de emissão de CH4 e N2O oriundos da fermentação entérica, urina e fezes para esses cenários. Para isso foi realizado um levantamento de índices zootécnicos e dados de manejo de pastagem de 100 fazendas no Estado do Pará distribuídas nos municípios de Novo Repartimento, Breu Branco, Tucuruí, Pacajá e Paragominas. Também foram conduzidos dois experimentos de campo em diferentes épocas do ano para monitorar as emissões de N2O provenientes de fezes e urina de bovinos. Os tratamentos foram distribuídos em um delineamento experimental em blocos ao acaso com cinco repetições: T1 - Controle sem excreta; T2 - Urina de animais sob pastejo extensivo (1,0 L por câmara); T3 - Fezes de animais sob pastejo extensivo (1,5 kg fezes frescas por câmara); T4 - Urina de animais sob ILP (1,0 L por câmara); T5 - Fezes de animais sob ILP (1,5 kg fezes frescas por câmara). Não houve diferença estatística entre os fatores de emissão de N2O das excretas oriundas do pastejo extensivo e pastejo em ILP, porém diferenças significativas das emissões foram observadas entre as estações do ano e entre tipos de excreta. Os resultados indicaram uma tendência de monitoramentos mais longos para estabilização dos fatores de emissão. A pecuária do Sudeste paraense foi caracterizada em quatro cenários: Cenário 1: extensivo; Cenário 2: extensivo em fase de melhoramento das práticas; Cenário 3: Propriedades que adotam reformas de pastagem em ILP, oferta de suplementos aos animais e melhoramento genético. Cenário 4: recria dos animais do cenário 2 em áreas de ILP.