A construção da representação política dos assalariados rurais: do Partido Comunista Brasileiro à Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais (CONTAR).
Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais (CONTAR); representação política; assalariados rurais; trabalhadores rurais; sindicalismo rural.
Esta tese analisa como se constrói a representação política da categoria “assalariado rural” no Brasil, tomando como eixo central os conflitos, disputas e interpretações que marcaram sua constituição ao longo do século XX e início do XXI. Parte-se da demonstração de que essa categoria foi historicamente construída e disputada por
diferentes instituições políticas, sindicais e correntes ideológicas. A pesquisa compreende o período que se estende da criação do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1922, à primeira década da Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais (CONTAR), fundada em 2015, e fundamenta-se na
análise de documentação sindical, legislação, periódicos, entrevistas e bibliografia especializada. Ao longo desse percurso, demonstra-se que a categoria “assalariado rural” não pode ser compreendida de forma homogênea, sobretudo nos períodos anteriores à modernização da agricultura, entre as décadas de 1960 e 1970.
Trabalhadores identificados como “operários agrícolas”, “colonos”, “moradores” e “boias-frias”, entre outras denominações, expressavam diferentes formas de inserção no mundo do trabalho e eram interpretados e enquadrados por organizações políticas e sindicais a partir de projetos distintos. Essa heterogeneidade decorria tanto das diferenças regionais quanto da coexistência de relações de trabalho marcadas pela morada, pelo trabalho familiar e pelo acesso à terra, elementos que tensionavam a al. Demonstra-se, ainda, que a criação daConfederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), em 1963, consolidou uma estrutura sindical orientada pela defesa da categoria eclética “trabalhador rural”. A partir desse processo, as transformações nas relações de trabalho e os conflitos entre pequenos produtores, posteriormente organizados sob a categoria “agricultores familiares”, e assalariados rurais engendraram processos de dissociação sindical e impulsionaram a formação de sindicatos, federações e, posteriormente, de uma confederação própria da categoria. Por fim, a tese dedica-se à análise das ações políticas e institucionais da CONTAR entre 2015 e 2025, examinando como a confederação reconfigura pautas históricas, formula projetos políticos próprios e atua em diferentes arenas de interlocução com o Estado. Demonstra-se como a CONTAR redefine estratégias de representação e mobilização dos assalariados rurais, bem como os limites e as potencialidades dessa atuação no contexto recente do sindicalismo rural brasileiro.