Processo de coacervação complexa empregando biopolímeros como sistema de carreamento do ácido tânico.
Lactoferrina; composto fenólico; pectina; simulação gastrointestinal.
O ácido tânico pertence a um grupo de taninos hidrolisáveis e possui funcionalidades biológicas importantes como a capacidade antioxidante, eliminação de radicais e propriedades antimutagênicas. Estudos demostram que ácido tânico pode ser utilizado como um inibidor natural das enzimas β-secretase e α-amilase, reduzindo a magnitude das respostas pós-prandiais de glicose e insulina aos carboidratos da dieta e diminuindo a absorção da ingestão de carboidratos, ajudando a prevenir ou mitigar diabetes tipo 2 e obesidade. Nesse sentido a microencapsulação entra como uma alternativa para a liberação controlada do ácido tânico. Este trabalho teve como objetivo propor uma alternativa viável e promissora de microencapsular o AT, protegendo e controlando a sua liberação, mediante a formação emulsões do tipo água/óleo/água contendo Lactoferrina (Lf) e Pectina (Pec) complexada. Para tal, as microcápsulas foram caracterizadas físico-quimicamente e a sua estabilidade foi avaliada sob alta temperatura (80ºC), diferentes pH, assim como no sistema digestivo simulado. Os resultados mostraram que as condições ideais para a formação dos complexos foram encontrados no pH 5,5 e na razão 10:1. A eficiência de encapsulamento (EE) foi determinada em função da concentração total de biopolímeros e da razão núcleo-parede, e o maior EE (~ 91,71%) foi alcançado com 0,5% de concentração de biopolímeros em uma razão de 1:0,15. As microcápsulas foram estáveis à floculação quando aquecidas a 80 °C por 2 h e a simulação in vitro demonstrou que AT foi protegido no sistema gástrico e sua bioacessibilidade foi controlada e mais acentuada no intestino delgado (38%). Logo, as micropartículas formadas são um sistema eficaz de encapsulação e entrega controlada de polifenóis hidrofílicos em nutracêuticos, suplementos ou formulações farmacêuticas.