ACHADOS DE NECROPSIA RELACIONADOS COM A MORTE DE MICOS-LEÕES-PRETOS (Leontopithecus chrysopygus) (1979-2024)
Leontopithecus chrysopygus, patologia veterinária, diagnóstico, histopatologia.
Os micos-leões-pretos (Leontopithecus chrysopygus) são primatas neotropicais originalmente encontrados na mata atlântica do Estado de São Paulo. A espécie de primata abordada neste estudo é considerada como uma das mais ameaçadas de extinção do mundo. Essa espécie de primata tem sofrido redução populacional devido à destruição de seu habitat e poucas informações estão disponíveis sobre causas de morte de L. chrysopygus. O objetivo deste estudo é descrever os achados patológicos e as causas de morte desses primatas, a partir de necropsias realizadas no Centro de Primatologia do Rio de Janeiro e de exames histopatológicos realizados no Setor de Anatomia Patológica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Entre 1979 e 2024, foram realizadas 77 necropsias de mico-leões-pretos. As principais causas de morte foram associadas ao sistema digestivo, seguida de distúrbios respiratórios e renais. Os principais achados microscópicos relacionados às causas de morte foram pneumonia (12/77), enterite (9/77) e nefrite intersticial (6/77). O diagnóstico conclusivo foi possível em 46,7% (36/77) dos casos. Desses, 41,6% (15/36) foram classificados como causas inflamatórias sem agente etiológico identificado, seguidos por 22,2% (8/36) de origem parasitária. As doenças renais corresponderam a 16,6% (6/36), enquanto trauma foi responsável por 8,3% (3/36) dos casos. As de origem bacteriana foram equivalentes a 5,5% (2/36). E as doenças virais e neoplásicas representaram 2,77% (1/36) cada. O registro da mortalidade e achados microscópicos de espécies em manejo é essencial para compreender e apoiar a conservação dessas populações, aprimorando as estratégias de manejo e cuidados, além de ser crucial para a saúde pública, devido ao potencial risco de transmissão de zoonoses.