Achados patológicos e investigação de causas de morte em micos-leões-pretos (Leontopithecus chrysopygus) mantidos sob cuidados humanos no Centro de Primatologia do Rio de Janeiro de 1979 a 2024
Conservação da biodiversidade, medicina da conservação, primatas neotropicais, calitriquídeos, patologia veterinária, histopatologia, diagnóstico.
Os micos-leões-pretos (Leontopithecus chrysopygus Mikan, 1823) são primatas neotropicais endêmicos da Mata Atlântica no Estado de São Paulo e estão entre as espécies mais ameaçadas de extinção no mundo. A redução populacional dessa espécie é impulsionada principalmente pela destruição de seu habitat, e poucas informações estão disponíveis sobre as causas de mortalidade de L. chrysopygus. Entre 1979 e 2024, foram realizadas 77 necropsias em micos-leões-pretos. De acordo com o histórico clínico, necropsia e exame histopatológico, as causas de morte foram identificadas em 42,8% (33/77) dos casos. Os principais sistemas afetados foram o digestivo, seguido pelo respiratório e urinário. Os achados microscópicos mais frequentes relacionados às causas de morte incluíram pneumonia (10/33), enterite (9/33), nefrite (5/33) e hepatite (4/33). Os casos diagnosticados foram classificados em infecciosos, com origem parasitária (27,2%; 9/33), bacteriana (6%; 2/33) e viral (3%; 1/33), e não infecciosos, incluindo causas traumáticas (12,1%; 4/33) e neoplásicas (3%; 1/33). Adicionalmente, foi identificada a categoria inflamatória sem agente etiológico conhecido, presente em 33,3% (11/33) dos casos, e distúrbios renais, em 15,1% (5/33). O registro da mortalidade e dos achados microscópicos em populações manejadas é essencial para compreender e apoiar a conservação dessas espécies. Esse conhecimento contribui para aprimorar estratégias de manejo e cuidados e é fundamental para a saúde pública, dado o potencial risco de transmissão de zoonoses.