LINFOMA MULTICÊNTRICO CANINO: AVALIAÇÃO CITOPATOLÓGICA E ANÁLISE DE CLONALIDADE POR TESTE PARR
Teste de clonalidade, imunofenotipagem, citopatologia
O linfoma é a neoplasia hematopoiética que mais acomete cães no mundo e seu diagnóstico definitivo considera a localização anatômica, características histopatológicas, imuno-histoquímicas e moleculares. No Brasil o tratamento quimioterápico para linfoma é baseado principalmente no diagnóstico citopatológico, no entanto, para fazer a classificação fenotípica e para casos em que há dúvida entre processo neoplásico ou reacional a técnica de Reação em Cadeia da Polimerase para Rearranjo de Receptor de Antígeno (PARR) pode ser utilizada. O presente estudo teve como objetivos realizar a avaliação citopatológica e a análise de Clonalidade por teste PARR em amostras de linfoma multicêntrico canino obtidas no Hospital Veterinário da UFRRJ. Além disso, buscou-se comparar o resultado de clonalidade de diferentes tipos de amostra, e classificar os linfomas de acordo com o tamanho celular. Foram selecionados 10 casos para o estudo apresentando 80% de cães com raça definida, idade média de 8,2 anos e predomínio de fêmeas (60%). Na análise citopatológica, a avaliação visual classificou a maioria dos casos como células médias (70%), enquanto mensurações objetivas tenderam a subestimar o tamanho celular. A concordância geral entre os métodos foi baixa, sendo que a classificação de Valli et al. (2011), utilizando a hemácia do próprio animal como referência, apresentou o melhor desempenho (concordância moderada) em relação à análise visual. Na análise molecular, a padronização do teste PARR via qPCR com análise de curva de melting obteve êxito na detecção de Clonalidade para os genes IgH Maior, IgH Menor e TCRy. O método de extração por fenol-clorofórmio mostrou-se eficaz em todos os tipos de amostra testadas (tecido parafinado, aspirado de linfonodo e lâminas de citologia). O teste PARR alcançou sensibilidade global de 85%, caracterizando 80% dos casos como linfoma de células B e 20% como linfoma de células T. Não foi observada diferença estatística significativa nos resultados entre os aspirados de linfonodo e lâminas citológicas para a realização do ensaio. Conclui-se que a combinação entre a citopatologia e a análise de clonalidade pelo teste PARR representa uma estratégia diagnóstica relevante para o linfoma multicêntrico canino, permitindo maior segurança na diferenciação entre processos neoplásicos e reacionais, além de favorecer a adequada classificação fenotípica da doença.