Aspectos clínicos da infecção natural por Dirofilaria immitis em cães atendidos no Serviço de Cardiologia e Doenças Respiratórias do Setor de Pequenos Animais do Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
afecção cardiorrespiratória, dirofilariose canina, ecodopplercardiograma, radiografia torácica
A dirofilariose canina é uma das principais afecções cardiorrespiratórias parasitárias cujo agente etiológico principal é o filarídeo Dirofilaria immitis (Leidy, 1856), associado ao seu endossimbionte Wolbachia sp. Muitos cães infectados são assintomáticos, sendo a suspeita clínica muitas vezes elaborada mediante o exame clínico minucioso ou pelo achado casual de microfilárias em exames laboratoriais. Animais sintomáticos apresentam manifestações clínicas inespecíficas, o que dificulta os médicos veterinários a suspeitarem da infecção e a incluírem-na no diagnóstico diferencial. Sendo assim, objetivou-se analisar os aspectos clínicos, descrevendo as alterações cardiorrespiratórias de cães, com mais de 12 meses de idade, apresentados ao SDCR do HVPA da UFRRJ. Após o consentimento formal dos tutores 26 cães foram submetidos a exame clínico (histórico, anamnese e exame físico), laboratorial (hemograma, pesquisa de microfilária e antígeno), radiográfico (radiografia torácica) e ecodopplercardiográfico. A maioria dos cães incluídos, parasitados (11/26) ou não (15/26), apresentava tosse (65,4%) e alteração na ausculta pulmonar (81%). O sopro em foco tricúspide foi observado em sete cães (26,9%), quatro deles infectados (57,1%) e três livres da infecção (42,9%). Ao ecodopplercadiograma observou-se insuficiência tricúspide em oito cães (30,8%), três deles infectados (37,5%) e, insuficiência pulmonar em 12 (46,1%), sendo seis infectados (50%). A maioria dos animais apresentava alteração no padrão pulmonar (88,5%) à radiografia torácica. O padrão bronquial foi identificado em 45,5% dos cães infectados e em 46,7% nos cães não infectados. Já o padrão intersticial foi identificado em 18,2% dos infectados e em 6,7% dos livres da infecção. Nenhum animal apresentava conjunto de alterações que denotasse probabilidade de hipertensão pulmonar, embora tenham sido observados parâmetros que indiquem que tenha ocorrido aumento da pressão pulmonar. Helmintos foram visualizados ao ecodopplercardiograma em 45,5% das infecções. Ao hemograma as únicas diferenças detectadas foram o tamanho das hemácias e a concentração de hemoglobina. Os animais infectados apresentavam hemácias menores e com menor concentração de hemoglobina, apesar de não apresentarem anemia. As avaliações realizadas demonstraram que os animais estudados não apresentavam doença grave, sendo infectados ou não. Como a dirofilariose é uma doença cardiorrespiratória que apresenta características clínicas indiferenciáveis de afecções cardiorrespiratórias por outras etiologias, fez-se necessário realizar exames parasitológicos, fossem eles pesquisa de microfilárias ou e de antígenos específicos ou até a visualização dos parasitos pelo ecodopplercardiograma, apesar de sua baixa sensibilidade. Conclui-se que a tosse foi o sinal clínico mais referido pelos tutores e, em todos os casos, confirmado pelos médicos veterinários durante o exame físico. A maioria dos animais apresentava sopro em foco tricúspide, ausculta pulmonar alterada, insuficiência da valva tricúspide e pulmonar e parênquima pulmonar com padrões bronquial ou intersticial.