A formação continuada de professores para a educação inclusiva
no Estado do Rio de Janeiro
Formação continuada de professores. Educação Especial. Educação inclusiva. Perspectiva histórico-cultural.
A presente tese tem por objetivo analisar o perfil de professores de Educação Básica do estado no Rio de Janeiro e as concepções sobre inclusão educacional dos participantes de um curso de pós-graduação a nível de especialização em Educação Especial e Inovação Tecnológica. A especialização em questão, campo desta tese, foi idealizada pelo Grupo de Pesquisa Observatório de Educação Especial e Inclusão Educacional em uma parceria da Escola de Extensão da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (SECTI) por meio da Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Fundação CECIERJ). É a primeira pós-graduação pública na área no estado do Rio de Janeiro. Teve início em março de 2022 e encontra-se em andamento. São sujeitos desta pesquisa os 1485 cursistas da especialização, cujos documentos a serem analisados serão as fichas de inscrição e os memoriais de justificativa ao curso e trajetória profissional. Para a inferência e interpretação dos dados, contamos com o referencial teórico da perspectiva histórico-cultural de Vigotski que trata o desenvolvimento humano a partir das relações sociais e a mediação como importante processo para a aprendizagem. Consideramos a perspectiva como uma grande aliada na formação continuada de professores e acreditamos que ela possa dar suporte ao tentarmos responder alguns questionamentos, como: Diante de toda a precariedade do sistema público da Educação Básica que os professores vivem, por que continuam docentes? Com a escassez da formação inicial, por que os professores voltam-se para a docência na Educação Especial? Quem são os professores da Educação Especial e o que os motiva a permanecer na área? Será que a formação ofertada atende a procura deles? Será que a formação ofertada dá conta das demandas da Educação Inclusiva? Nossa hipótese de tese é de que os professores que atuam com a inclusão educacional do Estado do Rio de Janeiro sentem carências na sua formação docente que se materializam em dificuldades na sua prática pedagógica, deste modo buscam por formação continuada na tentativa de supri-las. Também supomos que a maioria desses professores não se reconhecem como pesquisadores da sua prática e buscam por formação continuada na tentativa de encontrar propostas prontas de como trabalhar com o aluno. Consideramos que por mais que professores entendam que cada ser humano tem suas singularidades e tempo particular de aprendizagem, ainda há certa distância entre esse entendimento e sua aplicabilidade no processo de ensino e aprendizagem. A educação tradicional centrada nos resultados e na culpabilização de alguém está arraigada na escola pública e só conseguiremos mudar essa perspectiva a longo prazo, com mais formações continuadas como a pós-graduação que está em andamento, mas sobretudo com investimento em uma educação que ensine o aluno a pensar criticamente em prol dos direitos humanos.