Entre câmeras e olhares: sentidos do trabalho sexual
Prostituição. Feminismo. Internet.
O trabalho sexual tende a se apresentar como tema de diversas interpretações que incluem
perspectivas positivas e negativas ao seu fazer. A isto pode-se incluir a dicotomia da prostituta vítima
social x prostituta empoderada sexualmente. Diferentes perspectivas de estudos feministas e dos
movimentos feministas oferecem, consequentemente, diferentes concepções acerca do objeto que,
somadas às vozes das próprias prostitutas como agentes sociais, originam um amplo campo de
discussão. Além disso, com a popularização da internet, das redes sociais, com o advento do
capitalismo de plataforma e da pandemia do coronavírus, múltiplos profissionais informais tiveram de
adquirir novos meios de obtenção de renda, incluindo as trabalhadoras sexuais. Nesse quadro que se
mostra de grande complexidade, este trabalho tem por interesse apresentar discussões do campo
feminista por meio de certo levantamento bibliográfico e da análise de alguns sites feministas,
colocando as respectivas interpretações em diálogo com as experiências de profissionais do sexo
compiladas por meio de entrevistas qualitativas. Dessa forma, o estudo se propõe a analisar os
desafios ocasionados pelas mudanças no mercado de trabalho da prostituição, no âmbito dos estudos e
movimentos feministas, bem como do próprio universo do trabalho sexual.