O homem no redemoinho rosiano: Genero e Sexualidade em Grande Sertão Veredas.
Grande Sertão: veredas. Masculinidade. Identidades. Gênero. Sexualidade
: Esta dissertação é resultado de uma análise antropológica das representações de masculinidade no romance Grande Sertão: veredas, de João Guimarães Rosa (1908 – 1967). Tal enredo se passa no Sertão de Minas Gerais, na primeira metade do século XX, onde vivem homens e mulheres que protagonizam lutas pela terra, envolvendo, nesse conflito, poderes locais e poderes externos. O enredo se dá em meio a dilemas que envolvem a associação da possível existência da alma humana e do "demo", enaltecendo um amor gay, protagonizado por Riobaldo e Diadorim. Porém, esse amor parece ser inviabilizado pelo "Sertão", de modo que exige aos sujeitos agirem de forma mais contundente e relacional com os valores e regras partilhados. Para auxiliar nesse rumo de análise, foram acionadas as noções de masculinidade (hegemônicas e subalternas), estudadas por Raewyn Connell (1995), que propõe três dimensões para se analisar o gênero: da relação entre produção e reprodução da vida social, catexia e as relações de poder propriamente ditas. Além do mais, foi utilizada a perspectiva da análise de gênero feita por Judith Butler (1990). Ao caracterizar gênero como discurso, a autora lança mão de evidências para avaliar a masculinidade como um fenômeno social forjado pelos homens, oprimindo-os, mas, sobretudo, oprimindo as mulheres. Foi possível perceber que as representações de masculinidade rosianas são bem mais complexas que as socializadas na época, demonstrando homens, principalmente Diadorim, que transitam no gênero e mesmo entre o gênero e a sexualidade.