ESCRITA EM RELAÇÕES EXTREMAS: DROGAS, CUIDADOS, ANESTESIAS E
HORIZONTES DE RECUPERAÇÃO
Drogas; cuidado; sofrimento; escrita; etnografia
Ao longo desta dissertação me dediquei a pensar, a partir de uma escrita autoetnográfica, sobre
um núcleo de relações que qualifiquei como relações extremas, marcadas por uma dinâmica de
esgarçamentos contínuos vividos num certo domínio do mundo das drogas. A partir do
acionamento de memórias e de conversas com outras interlocutoras, falo de algumas dinâmicas
que aparecem nas relações entre uma rede de mulheres adultas e suas filhas crianças, relações
essas marcadas pelo sofrimento da drogadição, nas quais são desenvolvidas estratégias de
vivência e sobrevivência marcadas por dinâmicas específicas de cuidado, de acionamento de
identidades, de regulação de corpos, anestesia e recuperação. Para isso, faço uma discussão em
torno da escrita como uma das minhas principais estratégias epistemológicas e metodológicas,
trazendo contos e personagens que me ajudam a enfrentar barreiras de sofrimento na pesquisa e
participam, como verdades ficcionadas, da apresentação e formulação das análises por eles
anunciadas.