Numa margem não tão distante: O Estado e as milícias na comunidade do Beira-Rio
milícias; governança criminal; grupos de extermínio; segurança pública; eleições; memória
As milícias no contexto do estado do Rio de Janeiro são utilizadas como ferramentas eleitorais, perpetuando um ciclo de dependência mútua que enfraquece as instituições democráticas e promove a violência como um meio de governança. A evolução das milícias não se dá sem o aparato do estado. As transformações nas milicias decorrentes do assassinato do miliciano Ecko em 2021, uma operação coordenada pelo governo do Estado, foram sentidas em diversas comunidades da Zona Oeste da cidade do Rio. Utilizando entrevistas e observações participativas para capturar as percepções locais sobre a interação das milícias com o tecido social, pode-se notar um aumento significativo da violência da comunidade do Beira-Rio com disputas entre milicianos em conluio com as facções do tráfico de drogas. Os impactos subsequentes na comunidade estudada foram impulsionados por movimentos políticos visando as eleições de 2022, ressaltando o desafio de desembaraçar as interações entre legalidade e ilegalidade no contexto desses grupos armados. Sendo assim, discorremos sobre o conceito de "Governança Criminal" e a intersecção entre o “milicianismo” e o Estado, particularmente no contexto do Rio de Janeiro. O foco central é a análise da chamada "Zona Cinzenta", onde as atividades milicianas e as ações do Estado se entrelaçam de maneira complexa e muitas vezes indistinguível.