UM PAPO DE RESPONSA NA MORAL: APROXIMAÇÕES DA PCERJ
COM DIFERENTES JUVENTUDES
Papo de Responsa; Juventudes; Moral
A presente dissertação tem como objetivo analisar as estratégias discursivas de orientação da
polícia civil através do programa Papo de Responsa aos jovens de diferentes localidades e
realidades do estado do Rio de Janeiro. A pergunta que orientou a pesquisa foi como os policiais
do Papo de Responsa se comunicam com estes diferentes jovens, e que temáticas, prescrições e
disposições são direcionadas aos jovens das escolas visitadas. Assim sendo, esta dissertação é
dividida em capítulos que analisam os elementos observados na pesquisa de campo,
acompanhando o programa; ou ainda, obtidos através das entrevistas com os policiais civis do
Papo de Responsa. Os capítulos são desenvolvidos a partir da metodologia do programa
pesquisado. Neste sentido, a criação do programa Papo de Responsa descrita com todos os seus
desdobramentos e o caráter de comunicação do programa é salientado, bem como a análise de
“Poliçópolis”, termo apreendido dos discursos policiais do programa. Além disso as diferentes
formas de vivenciar a juventude é discutida, promovendo uma reflexão acerca da compreensão
dos policiais a respeitos destas diversas vivências e realidades juvenis. A produção moral do bom
cidadão também é abordada, onde a partir do empreendedorismo policial, os policiais do Papo de
Responsa utilizam estratégias morais discursivas visando a produção de condutas responsáveis,
sendo esta, a conduta do jovem que obedece às leis, aos professores, à família, cuida de si e tem
responsabilidade com suas escolhas e atitudes. É analisado ainda a produção de discursos visando
a obediência através do medo, bem como a docilização dos corpos e a regulamentação das
vivências juvenis. Vale ressaltar que o Papo de Responsa não é um programa específico de
comunicação com a juventude. Os policiais do programa conversam com qualquer grupo que lhes
convidar, ainda durante a metodologia nas escolas, eles conversam com representantes da família
dos adolescentes, com professores, e outros funcionários da comunidade escolar. Porém, em
função do recorte da presente pesquisa, o maior foco é a relação da polícia com a juventude.