Banca de DEFESA: ROMERO JASKU BASTOS

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ROMERO JASKU BASTOS
DATA : 03/12/2025
HORA: 14:30
LOCAL: videoconferência
TÍTULO:

O BARROQUISMO LUDOPÉDICO NA ENCRUZILHADA ENTRE O
VIRTUAL E O REAL: A GAMIFICAÇÃO DO ESPORTE-ESPETÁCULO

E A EUROPEIZAÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO

 


PALAVRAS-CHAVES:

futebol brasileiro; europeização do futebol; jogos eletrônicos; ideologia; utopia.


PÁGINAS: 79
RESUMO:

O presente trabalho tem como principal objetivo refletir sobre a relação entre a “gamificação” do
esporte-espetáculo e a “europeização” do futebol brasileiro. No rastro do processo de globalização e
espetacularização do futebol, conduzido em benefício e no interesse das equipes europeias, assoma
à superfície uma disputa simbólica que coloca frente a frente dois tipos de discursos. Em linhas
gerais, são eles: (i) de um lado, debatendo-se diante da impotência em relação à correlação de forças
na atual conjuntura, marcada por intensa e ininterrupta comunicação entre culturas de todos os
cantos do planeta proporcionada pela revolução tecnológica da informação, encontram-se as
narrativas que associam “europeização” com “modernização”, enfatizando os ganhos provenientes
da mundialização e liberalização do mercado da bola, relativizando a existência de escolas nacionais
de futebol e condescendendo com a formação de comunidades de fãs estruturadas a partir de relações
desterritorializadas entre torcedores e clubes; (ii) de outro lado, os relatos que rechaçam a
“modernização” e suas consequências como uma ameaça à verdadeira identidade do futebol
brasileiro, em que a tônica recai, muitas vezes, sobre as “vantagens do atraso", perceptível tanto nos
argumentos que condenam como “ilegítimos” os laços dos brasileiros com times estrangeiros –
relacionando-os com a falta de fibra moral característica de “caçadores de glórias”, para os quais o
sucesso em campo e o glamour das estrelas e dos campeonatos da Europa são mais importantes e
sedutores do que a fidelidade às raízes –, quanto nas alegações que conectam o “futebol-arte” com o
“jeitinho brasileiro” – “o peculiar modo nacional de livrar-se de problemas, ou de falsificá-los”, de
tal maneira que estes problemas não sejam vistos como obstáculos a serem superados, mas, no limite,
como condições fundamentais para manutenção e reprodução das bases culturais e materiais da
escola brasileira de futebol. Essas formações discursivas são a matéria-prima da investigação que se
busca realizar aqui. Assim, com base no exame crítico desses discursos, intenciona-se discernir
nessas visões de mundo o que há de ideológico e o que há de utópico nas representações e soluções
que cada uma delas propõe para resolver os desafios colocados pela comunicação excessiva entre
sociedades e culturas cada vez mais conectadas. Para levar a cabo esta investigação, propõe-se fazer
uma interpretação de caráter dialético dos discursos de diferentes atores e agências sobre os
meandros dos processos de formação das identidades culturais do futebol, tendo como
interlocutores intelectuais, jornalistas, dirigentes, técnicos, jogadores e torcedores etc.

Ocupando um lugar especial na análise dos discursos sobre o “futebol-espetáculo”, os jogos
eletrônicos muitas vezes estão no centro das discussões, ora sendo apresentados como pivôs da
“modernização”, ora como promotores da “aculturação”. De qualquer maneira, os jogos eletrônicos
são, eles próprios, formações discursivas. Levando isso em consideração, assume-se, aqui, que os
jogos eletrônicos são um tipo de texto que possui uma estrutura narrativa e um sentido preferencial,
além de um inconsciente. Nessa direção, trata-se de explorar as contradições inerentes às visões de
mundo em questão no tocante ao modo como elas interpretam as transformações e as perspectivas

do futebol no Brasil e no mundo diante da “gamificação” do “esporte-espetáculo”. Com efeito, tem-
se que a tarefa primordial da análise crítica das formações discursivas em tela é, antes e acima de

tudo, jogar luz sobre suas dimensões utópicas. A hipótese central deste trabalho é a de que estas
dimensões utópicas emergem como sintomas do choque de narrativas “que são ao mesmo tempo
distintas, simultâneas e antagônicas”. É, então, sob a forma de sintoma, insinuando-se por entre as
lacunas da ordem simbólica, que o “real” se revela. Depreende-se disso que apenas uma “leitura
sintomal” do cenário sob escrutínio é capaz de identificar as dimensões utópicas e ideológicas
inerentes a ambas as visões de mundo.

 


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1691203 - MARCO ANTONIO PERRUSO
Interna - 1716266 - SABRINA MARQUES PARRACHO SANT ANNA
Externo ao Programa - 2482209 - DARLAN FERREIRA MONTENEGRO - UFRRJExterno à Instituição - MARCELO RIBEIRO VASCONCELOS
Externo à Instituição - LUCAS CORREIA CARVALHO - UFF
Notícia cadastrada em: 17/11/2025 12:00
SIGAA | Coordenadoria de Tecnologia da Informação e Comunicação - COTIC/UFRRJ - (21) 2681-4638 | Copyright © 2006-2026 - UFRN - sig-node1.ufrrj.br.producao1i1