DAS LIDERANÇAS LOCAIS ARMADAS AOS GRUPOS ARMADOS NA ZONA OESTE DO RIO DE
JANEIRO: como nasceu a chamada milícia “Liga da Justiça”
Milícia – Liga da Justiça – Lideranças Locais – Zona Oeste – Militarização.
A presente tese tem por objetivo analisar e descrever o processo de formação da milícia
denominada como Liga da Justiça, cuja atuação se concentrou na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Busca-se
demonstrar que o surgimento desse grupo armado resulta de dinâmicas históricas e geográficas
vinculadas a uma tradição local de violência, articulada a um modelo de desenvolvimento urbano
seletivo, desigual e particular da região periférica da cidade. Antes da consolidação da milícia Liga da
Justiça que se tornaria a maior do Rio de Janeiro, já existiam lideranças armadas que controlavam
territórios específicos e mobilizavam a violência como mediadora das relações sociais. Com isso, será
possível analisar a heterogeneidade do espaço urbano da Zona Oeste e da milícia liga da justiça,
explorando atores e agencias até então negligenciados, que foram importantes para a atuação e
existência do grupo. A pertinência desta pesquisa reside na análise de processos empíricos articulados a
referenciais teóricos e conceituais, os quais contribuem para uma compreensão mais aprofundada do
fenômeno investigado. Nesse sentido, recorro a produções tanto do campo da Geografia quanto da
Sociologia, a fim de desenvolver um trabalho com maior rigor analítico. Para desenvolver esta análise,
mobilizo conceitos como acumulação social da violência e mercados ilegais, formulados por Michel
Misse, entre outros autores, bem como o de militarização do espaço urbano. Esses referenciais são
articulados a macro análises sobre os novos paradigmas da guerra, especialmente a partir da década de
1990, no contexto da crise do capitalismo. Nesse sentido, a guerra molecular e a militarização integram
dimensões centrais do fenômeno investigado nesta tese. Além disso, para lidar com a complexidade do
fenômeno, examino a consolidação do termo milícia em suas dimensões teóricas e empíricas, dialogando
com narrativas de jornais de circulação regional, produções acadêmicas e percepções de moradores dos
bairros através de entrevistas em territórios marcados pela presença da milícia Liga da Justiça. Assim,
sustento que práticas violentas e mercados ilegais constituem eixos fundamentais para compreender o
surgimento, a reestruturação e as transformações desse grupo armado.