“Calma que dá tempo”: mulheres e o cotidiano da visita no Complexo de Gericinó
prisão; cuidado; mulheres
Este trabalho analisa as práticas de cuidado e as dinâmicas de circulação produzidas
por mulheres que visitam homens encarcerados no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona
oeste do Rio de Janeiro. A partir de uma etnografia realizada no entorno territorial que circunda a
prisão, a pesquisa acompanha os deslocamentos, esperas e interações que antecedem o momento
da visita, observando como esposas, mães e outras familiares organizam rotinas e recursos em
função das exigências institucionais. O trabalho foi desenvolvido por meio de conversas e
acompanhamento das práticas que estruturam o dia da visita, como o preparo de alimentos, a
organização das bolsas e a circulação por pensões, mercearias e transportes locais. A análise
demonstra que a prisão não se limita ao interior de seus muros, mas produz um campo ampliado
de relações que envolve famílias, comerciantes e territórios periféricos.