Soberania Alimentar e incidência política: o acesso ao Programa de Aquisição de Alimentos
(PAA) pelo Quilombo Dona Bilina
Ativismo alimentar; soberania alimentar; política pública;
Este trabalho analisa como o acesso ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) é mobilizado
pelo Quilombo Dona Bilina e por movimentos feministas da Zona Oeste do Rio de Janeiro nos
processos de autorreconhecimento quilombola e nas lutas por direitos. O estudo investiga como a
alimentação, articulada às políticas públicas, transforma-se em ferramenta de fortalecimento
identitário e afirmação territorial. Também examina práticas comunitárias pautadas pela
solidariedade, interseccionalidade e pelo bem-viver, revelando alternativas políticas diante das
desigualdades enfrentadas por comunidades quilombolas e periféricas. Nesse contexto, o
alimento torna-se elemento estratégico, conectando organização comunitária, território e luta
política. A criação de uma horta comunitária durante a pandemia e a inserção no PAA mostram
como a alimentação atua como instrumento de ativismo alimentar, fortalecendo o reconhecimento
interno e a legitimação institucional. As práticas alimentares articulam redes de solidariedade
protagonizadas por mulheres negras, que unem bem-viver territorial, engajamento político e
produção de saberes. Assim, a alimentação emerge como prática política voltada à autonomia,
justiça social e reconhecimento, revelando a interseção entre gênero, raça e território e apontando
formas de resistência baseadas no cuidado e na coletividade.