Ocupações das escolas no Brasil: um estudo das preferências políticas e da forma
de ação dos estudantes
Ocupação-das-Escolas, Preferências-Políticas, Formas-de-Ação, Valores-de-
Autoexpressão
Esta dissertação tem como tema as ocupações das instituições de ensino no Brasil nos anos de
2015 e 2016, no qual investigo a relação entre a forma de ação e os valores que foram
compartilhados entre os estudantes a partir perspectiva da teoria da cultura política com destaque
para o pensamento de Ronald Inglehart. Do referido autor ressalto três aspectos que orientam
toda reflexão. O primeiro é o conceito de “valores de autoexpressão”, que segundo o autor é a
base para futuras transformações políticas na direção da democracia. O segundo é a importância
das ações coletivas que, quando informadas por valores de autoexpressão, pressionam as elites
políticas para mudanças na direção da democracia. O terceiro é o fator socioeconômico que,
segundo o autor, favorece a ascensão de valores de autoexpressão. Diante disso, meu objetivo é
verificar se os valores que mobilizaram os estudantes são valores de autoexpressão. A
metodologia empregada consta do levantamento bibliográfico e de investigação a partir de um
questionário de entrevista. A formulação das perguntas e das alternativas de resposta foram
pensadas com o objetivo de verificar se as preferencias dos estudantes se caracterizam como
valores de autoexpressão. Os resultados indicam que, entre os entrevistados, há uma forte
correlação entre os valores e as formas de ação adotadas no processo de ocupação e que os
valores identificados associam-se aos valores de autoexpressão. Diante disso, postula-se que o
fenômeno de ocupações das escolas apontam para um novo tipo de civismo, crítico dos modelos
tradicionais de mobilização e favorável aos modelos mais espontâneos de ação direta, com perfil
mais individualizado e com foco em temas voltados para qualidade de vida.