As tradições bantu de África Central nas religiões africanas do Brasil:
candomblé congo angola e umbanda’’
Candomblé Congo Angola, Bantu, Nkisi, África central.
Após ser deportados pelo comércio transatlântico dos 4 séculos nas Américas em geral
e no Brasil em particular, os Bantu da África central, trouxeram com eles, conhecimentos e
lembranças socioculturais das suas tradições, de seus usos e costumes para cá. Na luta contra a
escravidão e pela liberdade, uma das armas usadas pelos Bantu para resistir contra o sistema
escravista, era a perpetuação das crenças, das tradições a fim de preservar suas identidades. Neste
sentido, os Bantu juntos com outros africanos e os indígenas formaram uma “coalizão” para manter
suas crenças e tradições vivas, usando a roupagem dos ritos católicos. Essa unidade das tradições
ancestrais bantu com outras tradições africanas e indígenas, não era, na nossa perspectiva, um
sincretismo como alguns pesquisadores gostam de falar, pois não se tratava de fusão mas somente de
união. Nesta perpetuação das tradições, nasceu o culto tradicional bantu criado com base das
tradições anteriores africanas e inovadas com o novo meio ambiente (Brasil), que vai ser chamado do
Calundu (na época escravista) e mais tarde do candomblé Congo Angola (período pós escravidão),
que é o objeto de nossa pesquisa. O objetivo principal desta pesquisa é mostrar a forte presença e
atuação das tradições ancestrais bantu da África central na formação do candomblé Congo Angola,
através seu histórico, seu funcionamento, seus Nkisi ou divindades, seus ritos e suas semelhanças
com tradições, cultos ancestrais e com ritos iniciáticos da África central em geral, incluindo do antigo
reino do Kongo e do atual Congo Brazzaville em particular.