O QUE NÃO FALAR QUER DIZER: UMA ETNOGRAFIA DO SILÊNCIO RITUALIZADO
Silêncio; catolicismo; interioridade; modernidade.
A prática do silêncio é apresentada em contextos religiosos de várias vertentes e
também não-religiosos que difundem a importância ou beneficio do silenciamento.
Busco problematizar o sentido do silêncio e sua implicação nas esferas religiosa e
secular a fim de averiguar uma relação entre o silêncio e os ordenamentos sociais da
modernidade. A proposta se baseia num estudo empreendido sobre um ritual de silêncio
católico que engloba o ato de não falar acompanhado de uma escuta intensa, sobretudo
de um discurso de qualidade formativa que faz da palavra ouvida um elemento a ser
apreendido. Distanciar-se das cidades pode refletir a vontade do indivíduo de estar
longe dos grandes aglomerados humanos, da diversidade ou da homogeneidade em série
que são experimentadas de forma muitas distintas pelos sujeitos; como também ser um
reflexo da solidão no meio da massa, de uma crise do self diante de uma sociedade que
produz perturbações.