Interpretações, práticas e disputas a respeito do parto e nascimento: O movimento pela humanização do parto e a violência obstétrica no Brasil
Parto humanizado; Violência obstétrica; Doulas; Mídias sociais; Natureza e Cultura.
Esta pesquisa tem por objetivo investigar a constituição de determinados conhecimentos e práticas de cuidado no campo da assistência obstétrica no Brasil, considerando como adeptos, ativistas e profissionais do parto humanizado divulgam ideais desse movimento em mídias sociais. A hipótese é que as doulas figuram nesse contexto como dispositivo de pedagogia de parto humanizado, mediando o acesso a informações de saúde. Este estudo será desenvolvido a partir da observação e coleta de dados de informações compartilhadas em espaços virtuais, analisando-se matérias jornalísticas, mídias sociais e sites de grupos de adeptos do movimento pelo parto humanizado. Além de produzir uma dinâmica própria interessante de ser investigada, o ciberespaço parece ser importante para exposição de paradigmas da assistência obstétrica, incluindo as mulheres nas discussões sobre saúde sexual e reprodutiva e assistência obstétrica, e potencializando a promoção de ideais do movimento de humanização. O referido campo é caracterizado por um cenário de tensão e disputas entre as categorias profissionais que o formam e os ideais, práticas e discursos que as mesmas mobilizam. Ademais, algumas mulheres como pacientes com acesso limitado a saberes instituídos sobre seu corpo têm se mobilizado de forma a reverter essa situação de dominação, buscando recuperar o protagonismo na escolha pelo tipo de assistência obstétrica que desejam. O pressuposto é que esses conflitos, assim também, como a fusão ou separação de discursos por um parto mais “natural” e de combate à violência obstétrica, se estabelecem orientados por valores socioculturais e hierarquias de poder, como relações raciais e de classe social.