Classe em suas margens: trabalhadores nordestinos e as novas configurações da luta de classe
Fazer Antropológico. Classe Trabalhadora. Resistência. Capitalismo
Antes de qualificar a antropologia como resistência é necessário pensar: o que é a antropologia? A
antropologia não é. Ser isso, além de uma vantagem poética, é uma condição permanente de
autoconstrução metodológica, paradigmática e política. Neste texto de qualificação, proponho
revisitar o que Sherry Ortner (2016) chama de antropologia da resistência e mobilizar discussões
sobre o fazer antropológico situando-o nas margens sociais, apresento algumas reflexões da minha
pesquisa de doutoramento que tem por objetivo pensar o que Thompson (1998) chama de fazer-se
da classe trabalhadora. E a partir desse conjunto analítico apresento a trajetória de José, “um
homem simples”, um trabalhador sertanejo que existe no contraditório, que produz vida contrariante
ao determinismo econômico que o tipifica precarizado e exerce a clandestinidade de ser além das
desqualificações sociais violentas e desumanizadoras que se impõe socialmente e da teoria que o
estanca e o torna indizível. A construção de uma antropologia da resistência está no volume crítico
de sua teorização e em sua capacidade de romper com respostas totalizantes que submetem o sujeito
a consequências inequívocas, retroalimentando uma posição estagnada na sociedade que a torna
fatalmente murcha e sem vida. Convido a pensar uma antropologia da resistência que reconhece a
extensão das estruturas e racionalidades espremedoras de humanidade, mas que enxerga a
resistência não apenas em suas quebras, mas na maciez produzida pelos sujeitos para evitar ou
diminuir o quebramento.